artefacto artefoto

O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Entardecer

Que as tardes sejam belas, como é belo o entardecer... que as almas sejam puras, como é pura a Natureza... que a vida seja breve, como é efêmero o viver... que o mundo seja fraterno, como o amor aos animais...


Entardecer.jpg

Uma explosão de cores a nos lembrar que somos o amálgama da poeira do Cosmos com a imensidão vazia do Universo... viver é, tão somente, um piscar de olhos na eternidade do desconhecido. Nessa pequena cápsula do tempo onde surgimos não somos nada além de um relâmpago, um fragmento de vida desse planeta privilegiado, tratado com tamanho desdém por seres que se arrogam no direito de desafiar os deuses malignos de suas próprias religiões... acima, o vazio... abaixo, o ódio que alimenta as almas dos seres mesquinhos que nos tornamos, nesse efêmero despertar em um mundo em transformação, cujas regras sequer assimilamos nesse período de experiência de pouco mais de dez mil anos, um piscar de olhos da megafauna que já habitou e dominou a Terra por alguns milhões de anos, durante cinco extinções em massa, que nos antecederam. Nossa própria extinção será dramática, desesperadora para aqueles que ainda estiverem por aqui, nossos pobres filhos e netos, descendentes e herdeiros dos erros que cometemos, em plena consciência, durante nossa curta e inútil passagem por aqui.

As dez virtudes de Budha:

DANA: generosidade, doação SILA: virtude, conduta apropriada NEKHARMA: renúncia PANNA: sabedoria pela investigação da realidade, que leva à realização do vazio e da interdependência VIRIYA: energia, diligência, vigor, esforço KHANTI: paciência, tolerância, clemência, aceitação, resistência SACCA: veracidade, honestidade ADITTHANA: determinação, resolução METTA: amor gentil UPEKHA: equanimidade, serenidade

...não compensam os sete pecados desses seres arrogantes que acreditam terem sido feitos à imagem e semelhança de seu Deus particular: Soberba, Avareza, Inveja, Ira, Luxúria, Gula e Preguiça.

Se nos extasiamos diante dos espetáculos da Natureza, então por que a destruímos incessantemente, trocando sua beleza incomparável por monótonos campos de soja e tediosas pastagens de gado, consumidos na comilança desmesurada dos poderosos, enquanto bilhões de párias, zumbis, espectros humanos passam fome nos guetos e favelas das grandes cidades, matando-se uns aos outros pela ganância, pelo ódio e pelas drogas alienantes dessa sociedade em putrefação?

(Pesquisas confirmam que, apenas no século XX, espécies de vertebrados sumiram até 100 vezes mais rápido do que ocorreria sem a atividade humana, pois os animais extintos em 100 anos teriam levado mais de 10 mil anos para se extinguirem por causas naturais. O estudo revela que grande parte dessa tragédia se deve às atividades humanas, que levam ao desequilíbrio ambiental, provocando devastação de florestas, perda de habitat natural, introdução de espécies invasoras e aumento de emissões de carbono, impulsionando as drásticas mudanças climáticas recentes)

O Entardecer é um momento singelo... a despeito de nossos esforços por destruir, repete-se a cada dia, quando o sol desaparece no horizonte de cada parte da Terra, incessantemente... mas para cada ser vivo, em cada ponto do planeta, esse "desaparecer" ocorre apenas por alguns momentos, diante de nossos olhos, nas profundezas de nossas almas, para nos lembrar, todos os dias, que estamos aqui por acaso, devido à evolução das espécies, como uma aberração da Natureza, que criou seu próprio algoz que, em um apocalipse, destruirá irreversivelmente, esse belo paraíso... se existisse, de fato, um Deus, um Ser Supremo e todo poderoso, senciente como os humanos, teria ele o poder e a vontade de frear nossa maldade e ambição extrema, impedindo que bilhões de outros seres não humanos,desaparecessem do Universo devido à nossa pequenez e insignificância no concerto da Eternidade?


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/Fotografia// //João Carlos Figueiredo