Julio Toledo

Graduando em Cinema e Audiovisual. Escritor no site Séries do Momento. YouTuber no canal Juliando.

O Fim da Literatura

Há quem acredite estar a extinção do conhecimento se estabelecendo gradativamente em nossa sociedade. A obra "Farenheit 451" mostra esse processo por meio da destruição de cada livro existente. Porém, estaria o mundo realmente pronto para abdicar das teorias e viver somente com a prática?


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Não seria completamente inconcebível a ideia de ter, o escritor Ray Bradbury, uma bola de cristal. Muito do que ele, ainda no fim da primeira metade do século XX, colocou em suas obras, se tornaram realidades quase que palpáveis, mencionando, apenas, as gigantes telas que possuímos em nossas salas de estar e com as quais interagimos diariamente.

Em seu livro “Farenheit 451” – temperatura de combustão do papel, sendo assim, também do livro –, Bradbury trata de temas futuristas (vide a época em que foi escrito) e aborda problemas sociais hoje muito comentados, mas que outrora foram uma grande novidade.

O principal desses problemas é a evidente regressão nos hábitos de leitura das pessoas em todo o mundo causada, principalmente, pela chegada da televisão em um número cada vez maior de lares. Pelo menos, é isso que alega o autor, apesar de todas as outras teorias e hipóteses levantadas a respeito do real objetivo da obra.

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“Farenheit 451”, tendo sido publicado, pela primeira vez, em 1953, período pós-Segunda Guerra Mundial, conta a história do bombeiro Guy Montag, cuja real função é a de queimar todos os livros existentes, sendo estes estritamente proibidos pelo governo, a fim de propiciar uma manipulação massiva.

Com isso, surgiram especulações sobre o conteúdo da história ser uma crítica à censura instaurada nos anos 50, ou mesmo, à opressão anti-intelectual nazista, ocorrida durante décadas na Alemanha. Sobre isso, Ray Bradbury alegou: “Eu quis dizer qualquer espécie de tirania, em qualquer parte do mundo, a qualquer hora, na direita, na esquerda ou no centro”.

Montag, porém, após conhecer sua nova vizinha, uma menina de nome Clarisse McClellan, começa a ver a vida de uma maneira diferente e a questionar os estamentos da sociedade em que vive. Clarisse possui pensamentos modernos, liberais e esperançosos, representando o desejo de liberdade, de se livrar das regras de uma realidade que aprisiona e diminui seus integrantes.

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A obra de Bradbury, que morreu recentemente, em 2012, juntamente com “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e “1984”, de George Orwell, formam a mais famosa tríade de distopias do século XX. O livro foi, ainda, adaptado para o cinema pelo diretor francês François Truffaut e lançado no ano de 1966.

“Farenheit 451” é perfeito para aqueles que buscam por uma narrativa incrível e criativa, mas que, ao mesmo tempo, querem uma leitura rápida, pois suas atuais edições contam com pouco mais de duzentas páginas. Com uma linguagem simples e fluida, a história nos faz viver uma época que nunca existiu, mas que poderia ser qualquer época, dado seu teor atemporal.


Julio Toledo

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