Julio Toledo

Estudante de Cinema e Audiovisual, Fotógrafo (@juliotoledofotografia) e louco dos idiomas!

Pornografia: arte ou asco?

A pornografia é vista pelas pessoas com olhos que julgam e depreciam, entretanto, grande parte delas faz uso desse produto tão criticado. Seria a exibição sexual uma obra pertinente à nossa sociedade ou apenas um trabalho vulgar?


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Engana-se quem imagina a pornografia ter se iniciado no século XX com a ascensão do cinema e a venda em larga escala de revistas e outros periódicos com conteúdo erótico. Essa prática já se mostrava comum quando os únicos lugares os quais havia para se desenhar eram as rochas. Porém, não se tem a certeza de que as figuras eram providas de denotação sexual ou se não passavam apenas de um tipo de representação espiritual.

Já na antiga cidade italiana de Pompeia, pinturas ilustravam as paredes e fachadas de bordéis, fazendo alusão aos serviços prestados nos locais. E na Alemanha, ainda, foi encontrada, há cerca de dez anos, uma imagem mostrando um homem sobre uma mulher, em pleno ato sexual. O achado teria aproximadamente 7200 anos de existência.

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Com o avanço da tecnologia, houve o surgimento de outros diversos tipos de veículos e mídias que, por sua vez, foram responsáveis pela divulgação massiva da pornografia em todo o mundo. A fotografia, desde pouco depois de seu surgimento já era utilizada como instrumento de reprodução e perpetuação de imagens de pessoas desnudas, assim como o cinema, que não demorou até possuir suas técnicas voltadas para a produção de obras de cunho sexual.

Entretanto, mesmo com todo seu valor histórico e envolvendo o trabalho e dedicação de tantas pessoas, a pornografia, para muitos, ainda não possui o status de arte. Muito pelo contrário. Essa é tida como algo indigno e realizado por pessoas imorais e meramente transgressoras, desprovidas de pudor ou respeito próprio.

As produções pornográficas, em principal, os filmes, são categorizadas como tabu na maioria das sociedades atuais e vítimas de preconceito, até mesmo, por seus consumidores que, com medo de receberem um julgamento equivocado por parte das outras pessoas, omitem qualquer informação que os vinculem à indústria do sexo.

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Porém, mesmo que discretamente, a pornografia vem ganhando cada vez mais espaço na vida das pessoas e movimentando, inclusive, a economia de muitos países. É o que mostra a escritora María Elvira Díaz-Benítez em seu livro “Nas Redes do Sexo”, quando afirma: “A cada ano, nos Estados Unidos, Hollywood produz cerca de 400 filmes, enquanto a indústria pornográfica põe no mercado entre 10 e 11 mil títulos. Os rendimentos obtidos com a pornografia no país – onde se incluem revistas, sites, televisão a cabo e brinquedos sexuais – são superiores aos gerados pelas indústrias do futebol, do basebol e do basquete juntas”.

Durante séculos, o homem encarou com certa naturalidade o sexo e as práticas relacionadas a esse ato, porém a sociedade, em contrapartida ao esperado, retrocedeu significativamente no aspecto do entendimento das relações sexuais não só para a reprodução da espécie. O sexo passou, cada vez mais, a ser considerado um tabu que não deveria ser discutido abertamente, mas escondido e tratado como algo complexo e estarrecedor.

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Porém, o mercado pornográfico, mesmo com todos os impecílios sociais e sendo, também, ligado a assuntos polêmicos e, muitas vezes, ilegais, como a prostituição, se vê num crescente nos dias atuais. Talvez todo esse preconceito em torno da indústria tenha, inclusive, contribuído para sua prosperidade porque, afinal, o que é proibido é mais gostoso.

E pra você? A pornografia pode ser considerada uma arte, um mercado torpe ou apenas um escape para o prazer reprimido?


Julio Toledo

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