arterolandoproseando e musicando...

Porque liberdade é pouco,o que eu desejo ainda não tem nome...

Valquíria Rego

Arte,prosa e poesia.

Sigmar Polke – Realismo Capitalista e outras histórias ilustradas

Sigmar Polke, precursor do movimento realismo capitalista. "Contemporâneo histórico de seu tempo e não apenas filosófico de seu tempo” ,irônico,provocativo e contestador,retratou suas obras de maneira desprendida de preconceitos e avesso a moralismos.
Seu trabalho retrata em forma de paródia a política,o futebol e a publicidade em uma semântica iconográfica,sua narrativa é de caráter análitico,observador e sobretudo satírico.
Com obras eloquentes,com o uso frequente das palavras,sua exposição faz refletir e enxergar os fatos de uma maneira diferente em que a busca ao conhecimento é incessante.


Sigmar-Polke-Freundinnen.jpgpolke.jpgsigmar 3.jpgO MASP sempre me impressiona com sua capacidade de fazer exposições de altíssima qualidade, bem como a Pinacoteca. Pois bem, fui ao MASP, e logo me intriguei com o título da exposição – “Realismo Capitalista e outra histórias ilustradas”. Li a resenha e entrei para ver o que aquele andar iria me propor. Para começar a discorrer sobre a exposição é necessário falar um pouco sobre o artista Sigmar Polke para entender a sua capacidade analítica e sua observação dos fatos, além de como nos retrata isso através de suas obras. Polke nasceu em 1941 na Silésia – região incorporada à Alemanha Oriental em 1949 e hoje compartilhada pela Polônia, República Tcheca e Alemanha. Aos doze anos muda-se com a família para a então Alemanha Ocidental e aos 20 é aceito na Academia de Artes de Düsseldorf. Nos anos 60 junto com os seus colegas Gerhard Richter e Konrad Fischer criou o movimento denominado “Realismo Capitalista” que é um movimento livre, que ironiza o realismo socialista, da então URSS, sendo uma alternativa áspera a pop arte - movimento forte da época que criticava o capitalismo americano e do Reino Unido, através das cores fortes e impactantes; cujo foco era atingir as grandes massas. Na entrada logo se pôde perceber que sua intenção não é mostrar exatamente a estética de suas obras, e sim as suas análises, críticas e motivos que o fizeram retratar cada narrativa daquela maneira. Assim, como a arte contemporânea quebra paradigmas, desconstrói e nos propõe um novo olhar, em contraposição com a arte clássica cuja estética era do belo; Polke também nos mostra um olhar diferente e aguçado sobre a época em que viveu. Através de narrativas ilustradas demonstradas em inúmeras colagens, pinturas, gravuras ele nos retrata o costume da época, o futebol, a política e a publicidade. Em sua essência contestadora ele pretendia exprimir seu desejo de liberdade nos diversos gêneros da arte e de sua própria história. A inovação era sua razão de ser. Na série Day by Day o conjunto ataca o regime militar,ele mixa diversos elementos, figuras pontilhadas ,ou seja, a utilização do benday dot (técnica de impressão por pontos usada pela imprensa jornalística e que foi, também, usada pelo artista americano Roy Lichtenstein) com destaque nos acessórios em cores fortes e vivas que ficam em contraste com o P&B. Quando se olha mais de perto, ficam implícitas suas inquietações e perspectivas sobre as questões sociais. No quadro “enxergar pela direita ou pela esquerda” a nossa mente se confunde ao que olhar, sendo que se olharmos para direita a imagem se projeta exatamente para esse lado e esquerda respectivamente. A imagem de mulheres nuas, macacos e índios retratam a exportação de ambos e assim chamam atenção do público brasileiro sobre os fatos da realidade nacional. Imagem de TV e futebol são constantes em suas metáforas sobre a realidade,em uma perspectiva sempre provocativa Polke quis tudo e retratou tudo o que pretendia,sendo livre em sua expressão. Mulheres Hélice “a gente é o que vê”, duas mulheres ficam de ponta cabeça literalmente em uma hélice, pode-se entender que foram “roubadas” e é justo o que se vê. Sua pintura é constantemente reinventada, sua ironia é voraz, de modo que, ele se sentia livre dos preconceitos da sociedade, sua mente era desprendida e se despia de qualquer moralismo da época. Assim, não se deixou seduzir por hábitos ou interesse da vida moderna, pintava o que julgava válido e de caráter realista. Suas obras nos mostram a crítica da maneira mais eloquente possível, de tão forte que eram as suas narrativas e o uso frequente de palavras . Suas obras aludem sua paródia à política, convenções sociais e valores artísticos e culturais estabelecidos. Como disse a curadora da exposição Tereza Arruda Sigmar Polke “é um contemporâneo de seu tempo e não apenas filosófico de seu tempo”.


Valquíria Rego

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