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Porque liberdade é pouco,o que eu desejo ainda não tem nome...

Valquíria Rego

Arte,prosa e poesia.

Moda é arte ou comércio?

Moda é arte ou comércio? Questão que até hoje gera dúvidas e pauta para longos debates.
Não obstante,quero salientar que considero a moda e a arte conceitos intrinsecamente ligados e com intensas conexões estabelecidas no vestuário e na personalidade.
Cabe ressaltar que,ambos podem nos despertar tamanhas sensibilidades e grandes reflexões.
Moda e arte são "espelhos" de uma época transformados em códigos visuais e retratos de uma identidade pautados no comportamento e no que as pessoas pretendem transmitir.


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A moda e a arte a meu ver são conceitos que estão intrinsecamente ligados, devido à conexão que ambas estabelecem em detrimento do fazer artístico, bem como a sensibilidade que podem despertar nas pessoas que as apreciam. Ou seja, moda é arte, pois, ao observar as inspirações que os designers têm para construir uma tendência,bem como um “look, identificam-se diversas manifestações artísticas inseridas no vestuário. Não obstante, pode-se citar o vestido “Mondrian” de Yves Saint Lauren como uma peça de roupa inspirada totalmente em um quadro de Mondrian do neoplasticismo ou abstracionismo geométrico. Esse exemplo citado acima está relacionado à obra de arte em um contexto da arte moderna, em um quadro propriamente dito. Mas pode-se citar também Alexandre Herchcovitch com sua linha para a Tok Stok com objetos de uso cotidiano, inspirados no design contemporâneo, mas especificamente uma adaptação dos recursos utilizados na Escola de Bauhaus. Todavia, a arte é reflexo de um determinado período/época, bem como a moda,ou seja, analogamente pode-se ver neste exemplo sua extrema relação. A arte sem dúvidas explora a sensibilidade e faz a sociedade ficar mais criativa ao “abrir a mente” para diversas possibilidades; a moda apesar de ser tratada estritamente como comércio, também pode dar outras formas de exploração e de apreciação. Obviamente, o fator do consumo é evidente, mas também pode causar outras sensações além da racionalidade e do impulso da compra. Outra questão é a da individualidade enquanto narrativa imagética ou iconografia no que se refere ao vestuário. Atualmente a sociedade parece aderir às mesmas tendências de moda, ou seja, as pessoas perderam sua identidade enquanto “estilo”, pode-se dizer que houve uma massificação da moda. Entretanto, com a “invasão” da arte no vestuário pode-se observar nas peças até mesmo os gestos mais eloquentes traduzidos em códigos visuais, - “o mundo das ideias” e da “história” que cada pessoa pretende transmitir através da sua roupa. Gloria Coelho com sua grife tradicionalmente brasileira, remete ao futurismo com suas formas geométricas e sua linguagem visual de maneira “cibernética”, sua coleção é vanguarda e inspira o conceitual enquanto forma e uso respectivamente; e até hoje se estabelece no mercado. Contudo, outra grife como a Zoomp e a Zapping de Renato Kherlakian, que tinham como foco o “jeans wear” não obtiveram tanto sucesso, em razão de crises financeiras, a marca não conseguiu se reerguer com muitas dívidas no mercado. Em suma, citei acima alguns exemplos de grifes brasileiras que não deram certo, mas existem muitas outras que até encontraram seu apogeu, mas também se depararam com o seu declínio. A meu ver é preciso que haja constantes inovações no mercado de moda, sabendo que a efemeridade é um dos três pilares que a mesma possui, ela pode denotar também um lado artístico e conceitual respectivamente, além do consumo. A moda é designada como - mercado, marketing,capitalismo, óbvio que esses conceitos são verossímeis, mas é preciso que haja um novo olhar sobre ela, mais tátil, mais subjetivo.

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Valquíria Rego

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