arterolandoproseando e musicando...

Porque liberdade é pouco,o que eu desejo ainda não tem nome...

Valquíria Rego

Arte,prosa e poesia.

Imagens errantes: Ambiguidade, resistência e cultura de moda

Imagens Errantes:Ambiguidade,resistência e cultura de moda,relaciona as estamparias florais com a semiótica.A autora discorre acerca de suas viagens,experiências e memórias traduzidas em códigos estéticos, - o tecido como mídia.Este "buquê iconofágico" nos faz enxergar as diversas possibilidades de representação, atrelados ao campo do vestuário.Um livro que conota um olhar além do que é tátil, com doses de imaginação.


Carol-Garcia.jpgcor_chita_closetonline_noticiasdemoda.jpgchita tecido brasileiro.jpgO livro parte da semiótica ou estudo dos signos para analisar as transições culturais através de migrações simbólicas relacionadas à estamparia. Assim, a Chita habitou cenários diferentes se convertendo em “Imagens Errantes”, meios visuais ou “médium”. Carol Garcia discorre acerca da decodificação imagética através dos processos de iconofagia nos tecidos florais. Em suas viagens conta sobre suas experiências, vínculos e memórias traduzidas em códigos estéticos - as roupas. O interessante é saber que você pode viajar por diversos países através dos tecidos como mídia em que o corpo é o aparato para a desconstrução. Neste contexto a chita teve de se adaptar a culturas por ela visitadas, muitas vezes perdendo sua essência, transformando-se em “imagens souvenir” para o consumo massificado. Ao decorrer do livro cabe ressaltar a “flor de cinco pétalas”, cuja estamparia corresponde a ideia de sol, dia e tempo, que para os maias trazia o símbolo de imortalidade, em que a flor protegia contra feitiço e mau olhado. Nesta metáfora pode-se entender o medo da morte e a fragilidade humana, bem como, o corpo integrado ao cosmos por meio das vestes adornadas com flores. Na chita com estamparia de rosa pude perceber o despertar das pétalas relacionada à ideia de metamorfose e renascimento. Tal tecido remete ao vínculo fraternal perante a identificação visual com um grupo social, assim, lembrei-me da minha avó que possuía algumas colchas e lençóis com estamparias florais na Chita. Outro aspecto importante, que de fato me chamou a atenção foi à questão da árvore como símbolo da verticalização traduzida na “ascensão espiritual entre o céu e a terra”, em que há o contraponto da queda. O livro nos faz enxergar os tecidos e as estamparias de outra forma, subjetiva, implícita outrora ambígua e nos faz ver além do que é tátil. “Imagens Errantes” me propiciou inúmeras possibilidades de representação que conotam diversos conceitos acerca de vínculos comunicativos e processos imaginários, além das possibilidades do real, em que tudo pode ser reinventado em um “caleidoscópio imagético”.


Valquíria Rego

Arte,prosa e poesia..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// @destaque, @obvious //Valquíria Rego