
virei a curva e a correnteza me pegou: o que se perde com a idade, além de tempo? lá vai minha vida de segunda a segunda, sem dias entrementes - e tanta gente sem dente, sem cabelo pra pente, sem olho pra lente, tanta miséria velha e dormente!..
na tv o povo anda maquiado, como se deve. mas não eu, que quando estou só me esqueço de dormir, de comer, tomar banho e sol, eu que viro um assombro enrolado em si mesmo, uma coisa se mordendo que nem sente, com um salário rente, e a dívida - a dívida, gente!
as coisas andam quentes por aqui, muita partícula se agitando no ar, muito atrito produzindo dor e eu tomando aguardente, sendo deprimida ao sol brilhante - eu, bandeirante (antes desbravadora agora só brava), dolorosamente sobrando e soprando as mordidas desse monstro demente que sou.
Comentários
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ike
Mas não o mais baixo. Não o que está no fundo, no rés do chão e no limite. O problema é o intermediário. Fiscais dos cais, cobradores das dores, gerentes das gentes.
Ah, sim, legal sua página aqui. Coola.
'O problema é o intermediário. Fiscais dos cais, cobradores das dores, gerentes das gentes.'
tem razão: a condição humana não é bacana, não.
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