
a balada de um homem bom - num momento muito comovente no filme, onde o dramaturgo toca essa peça no piano em homenagem a seu amigo artista suicida, o burocrata (secretamente na escuta) toma consciência da força inexorável e imponderável da arte. essa transformação - um trabalho minimalista, finíssimo, do ator Ulrich Mühe - emociona ainda mais que a morte injusta do artista, ou a linda composição e interpretação da música, ou o sentimento de perda despido no rosto do dramaturgo. somos testemunhas do nascimento de um ser humano na sua mais plena manifestação - um homem heróico, curioso, bom.
um filme perfeito. conta de forma refinada a história hermética, circular, reconhecível em vários níveis, do poder da arte em nossas vidas: num mundo sem arte, sem amor, e sem liberdade de espírito somos coisas mecânicas, descartáveis, cinzas. cada segundo desse filme arrasa e enriquece. uma obra de arte total que me silenciou e enfureceu, e me tornou mais uma vez consciente da minha própria humanidade e de meu anseio pelo sublime, naquele tocante meta-momento.
Comentários
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Rodrigo Della Santina
Belo post!
mui grata, rodrigo! vc tmbm scrv lnds txts ;)
Rodrigo Della Santina
De nada e muito obrigado também!
Abraço,
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