
a noite está quente e clara, com um ar parado, saturado, respirado. o casal senta-se à calçada, em cadeiras reclinadas, controlando o passado.
na varanda, seu filho retardado toca algo felliniano num orgão velho, desafinado e grande. o casal, marcando o tempo, segue a gente que passa de olho atento - um olho árido, sólido, irritado.
nessa mesma casa, há muitos anos, outra geração dessa família em serenata - em vez de orgão, uma sanfona - dominava a noite e a nostalgia. com o mesmo toque seco de melancolia.
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