
na minha casa há teias onde aranhas silenciam. é uma casa quase vazia, só o necessário. nela ouço passos surdos, vejo pegadas no pó, janelas se abrem ou fecham e não sou eu. sonho o poeta que habita meu armário, secreto e sorrindo, alimentando-se de traças, sedas, lembranças.
meu verso brota como água de fonte, é ponte entre as várias margens desse rio escaldante que sou. um oceano em movimento, uma constante, sempre estará lá: muito próximo, mil vezes distante - como uma amante, como as estrelas (e continuarei a comê-las).
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