arxvis

dentro do momento

arxvis

artista plástica
e transpirante poeta

o mundo se despede, e quem me pos assim de frente com ninguém e todos também se despe pro último ritual

vivendo devagar atraso o fim do mundo. olho no espelho e conto minhas rugas, como minha mãe paralítica os grãos de feijão. nada a se envergonhar - esse o nosso caminho, desvendado na traseira de um caminhão. mas, diferente dela, sou eu que carrego a vida e a verdade, o que parece pouco mas não é nem metade.


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mamãe querida lambe a ferida assopra essa vela escolhe o feijão escova o cabelo limpa o chão sujo veja a novela 'denúncia do amor' enrola o olhar e a rosca e a dor olha essa noite que te olha e pensa na casa no casamento que extravasa no caso que te arrasa

mas solta o maxilar, mãe solta a saudade fica tranquila que eu ligo solta o cheirinho de avesso a comida salgada dizendo paixão a memória do berço o penúltimo cheque do talão solta a risada e a minha mão

eu vou com você, mãe eu te levo comigo


arxvis

artista plástica e transpirante poeta.
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