arxvis

dentro do momento

arxvis

artista plástica
e transpirante poeta

perdura

eu me deixo levar pelo mar
me deixo rolar
eu me deixo trazer pela maré
me deixo ralé


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o que é que se perde, que já não foi perdido? se tudo adquirido não reside no eu por que chorar pelo que se perdeu? um fato da vida é essa constante conquista de sentimentos em seguida desprezados (e nossa consequente, incansável derrota)

a natureza humana se devasta a cada ano os odeios e te amos são nossa paisagem - montanhas de detritos se acumulando tudo arrasado e arrastado por máquinas novas, lindas, caras, rodando a sangue brilhantes ao sol e ao suor e à ruína e nós crescendo, exímios no prejuízo (mesmo se o que perdemos foi demais pelo menos por um momento fugaz)

nosso lamento anda de rastos, melindrado um extrato de grito perfeito e esquecido extremamente sentido em um segundo que perder só dói uma dor de sonho, uma dor suada, silenciosa e silenciada, quente demais debaixo desse cobertor infantil, ensurdecedor (o buraco é fundo acabou-se o mundo)


arxvis

artista plástica e transpirante poeta.
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