as rosas falam

jornalismo, cultura e olhar crítico

Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias.

Os círculos e as quebras ou o que perdemos pelo caminho


“Não há resposta. Nunca haverá resposta. Nunca houve resposta. Essa é a resposta.” Gertrude Stein (1874-1946) edit-jude-law-rachel-weisz-360-poster-2.jpg

360 é o nome do novo filme de Fernando Meirelles. Lembrei-me também de outros filmes com a temática de enredos entrelaçados, como “Amores Brutos”, bem como “21 Gramas” e “Babel”, a espécie de ‘trilogia da interligação’ de Alejandro González Iñárritu, que ele chama simplesmente e sabiamente, “trilogia da vida”. Ainda não vi o de Meirelles. Assisti ao trailer. Interessou-me. Mas não é exatamente do filme que pretendo falar.

O número 360 costuma lembrar o círculo. Um círculo perfeito de 360° e também aquela velha história de que andamos, andamos e voltamos ao mesmo lugar. O círculo, no entanto, não tem começo e fim definidos. Poderia muito bem simbolizar o infinito.

A representação do infinito, contudo, é outra. É aquela espécie de oito deitado. E este símbolo, por sua vez, talvez seja uma melhor representação para a vida que o círculo. No símbolo do infinito, caminhamos, alcançamos curvas, encontramos um meio emaranhado e depois prosseguimos. Curvas sinuosas novamente e prosseguimos...

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Por que tudo isso? Não é nas horas ruins que pensamos mais sobre a vida? Fim de relacionamento é um círculo que se rompeu ou é aquele embaralhado no infinito? O pior, além de lidar com quebras, rupturas, emendas e processar tudo isso é lembrar-se de outros círculos que formamos. Coisas, pessoas, experiências que deixamos pelo caminho.

Estaremos falando de redes agora? Networks? Conhecemos algumas pessoas através de outras e assim vai? E quando o primeiro círculo se rompe? O que fazer? Ele afeta outros círculos? Uma amiga certa vez me disse que nunca é bom descartar pessoas, amigos. Coisas sim, amigos, não. Será que as outras pessoas do círculo têm a mesma opinião? Ou será que se você tentar se aproximar irá perceber que tudo que os unia era um elo em comum que não mais existe?

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Em uma situação diferente de perda, em que presenciei a não quebra desses círculos foi em um velório, recentemente. Aquelas pessoas que deixamos pelo caminho, lá estavam, presentes. Ouvi o seguinte diálogo:

- Essa aqui é fulana, minha ex-cunhada. - Você sabia que para a lei não existe ex-cunhada ou ex-sogra? Existe apenas ex-marido e ex- mulher?

Sei lá se isso é verdade. Mas aconteceu em tom leve. Nenhum arranca-rabo saiu da situação. Foi até engraçado. E isso me veio à mente agora. Bem como ontem me veio a canção de Paulinho da Viola, “Para ver as meninas”, que na minha mente eu ouvia na voz de Marisa Monte.

Então, silêncio, por favor. Enquanto esqueço um pouco a dor no peito. Porque hoje eu vou fazer, ao meu jeito eu vou fazer, um samba sobre o infinito.


Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias..
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