as rosas falam

jornalismo, cultura e olhar crítico

Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias.

Onde os curtos não têm vez


Estava pensando cá com meus botões em escrever sobre os mais belos nomes de filmes. Como isso, encontrei pelo menos duas semelhanças entre minhas escolhas: títulos longos e (o que achei mais curioso) homônimos de livros. Então pensei: será que continuo com minha lista, já que os títulos já existiam, tomados de obras literárias originais?

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Continuei divagando se deveria prosseguir, já que essa história de lista sempre dá problema, alguém sempre contesta e fazer lista nunca foi mesmo a minha cara. Depois percebi que, provavelmente, minha súbita vontade por listas deve ter vindo por recentemente ter revisto o filme “Alta Fidelidade” (High Fidelity, 2000), um filme cheio de “top five”. Filme interessante, título idem, com direito a trocadilho e tudo. Mas não vai entrar na lista de hoje.

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Comecei a ver que eu tinha que estabelecer regras e limites para a minha relação. Tarefinha nada fácil. Agora é que John Cusack e seu personagem não me saem mais da cabeça. Vamos lá. Como a lista começou com belos títulos longos, assim o será. Terá que ser longo no título original e na tradução para o Brasil – nos casos de filmes estrangeiros. A tradução não precisa ser literal, mas a mais fidedigna possível. Longo significando pelo menos três palavras, excluindo-se artigos. Eu tenho que ter gostado dos três: título original, título em português e da obra, obviamente. Daí você pode ver que já está excluído um filme com nome longo e tão bobo quanto seu título: “O inglês que subiu a colina e desceu a montanha” (The Englishman Who Went Up a Hill But Came Down a Mountain, 1995).

Ei-la:

1. A insustentável leveza do ser (The Unbearable Lightness of Being, 1988)

2. Todos os títulos da trilogia Millenium de Stieg Larsson: Os homens que não amavam as mulheres (Män som hatar kvinnor, 2009); A Menina que brincava com fogo (Flickan som lekte med elden, 2009); A rainha do castelo de ar (Luftslottet som sprängdes, 2009).

3. Pra que serve o amor só em pensamentos? (Was Nützt Die Liebe in Gedanken, 2004)

4. Nós que aqui estamos por vós esperamos (Brasil, 1999)

5. Quem tem medo de Virginia Wolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966)

6. Longa jornada noite adentro (Long Day's Journey Into Night, 1962)

7. Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998)

8. Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)

9. O homem que não estava lá (The Man Who Wasn't There, 2001)

10. Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar (Every Thing You Always Wanted to Know About Sex *But Were Afraid to Ask, 1972)

11. A pessoa é para o que nasce (Brasil, 2003)

12. Cada um com seu cinema (Chacun son cinéma ou Ce petit coup au coeur quand la lumière s'éteint et que le film commence, 2007)

13. Onde os fracos não têm vez (No Country For Old Men, 2007)

14. O Fabuloso destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001)

15. Quero ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999)

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Depois de quebrar o cocuruto para fechar a lista (inicialmente, pensei em dez títulos, mas...) vemos que o assunto dá pano pra manga. Por exemplo, encabeçando a lista temos “A insustentável leveza do ser”. Título que considero belíssimo. A tradução não é literal, quando seria a ‘insuportável’ leveza do ser. Palavra que soa muito bem no original (unbearable), daria mais peso em português, mas assim ficou sustentavelmente mais bonito.

Perdoem-me se agrego os três títulos da trilogia Millenium. Não achei certo separá-los.

Mais pano pra manga dariam as diferenças de tradução entre os títulos no Brasil e em Portugal. Daria outro artigo e sei que há escritos acerca do tema. Sobre isso, perdão também aos leitores/falantes do português luso ou africano. Na pesquisa, vi que alguns títulos diferem, mas como disse, esses são outros quinhentos...

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Daria para comentar também sobre a tradução bizarra que o Brasil muitas vezes faz na área cinematográfica. Melhor ou pior, às vezes trágica, às vezes interessante, às vezes engraçada. Um título nada a ver com o original, mas super legal é “Noivo neurótico, noiva nervosa” (Annie Hall). Até entraria na lista, mas não satisfaz as regras.

Para não me perder nos panos pra manga ou me embaralhar nas listas, devo dizer que dois belos títulos (um, inclusive, me inspirou a escrever o artigo) que aqui não se encontram por, infelizmente, eu (ainda) não tê-los visto são: “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” e “Como era gostoso o meu francês”, ambos brasileiros, de 2011 e 1971, respectivamente.

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“O ano em que meus pais saíram de férias” não integra a lista por eu não ter gostado tanto da película. “O clã das adagas voadoras” não está aqui pela dúvida em saber se em chinês o título também seria longo.

Sem mais delongas e listas longas. Fim.


Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias..
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