as rosas falam

jornalismo, cultura e olhar crítico

Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias.

Rush: de lembranças à emoção

Antes de Senna, houve Lauda. Um filme bem feito, atuações sinceras, e que considero capaz de emocionar até quem, como eu, não gosta de Fórmula 1.


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Há alguns anos, quando pela primeira vez e no meu primeiro dia numa das mais belas cidades do mundo, Budapeste, estava dentro de um microônibus de turismo que iria passar pelos arredores da cidade. Eu estava concentrada e super animada em estar ali desde que ouvi, em filme, as palavras do livro de Chico Buarque “Budapeste é amarela!”. Belas lembranças... Mas estou divagando. Estava lá eu sentada numa das poltronas esperando o resto dos turistas. Como disse, era o primeiro dia naquela cidade e o ponto de saída tinha sido marcado num conhecido local, em frente a um dos hotéis mais chiques e caros de Budapeste. Não o meu hotel, obviamente.

Numa dessas, sai alguém e muitos começam a tirar fotos, pedir autógrafos. O guia vai falando para alguns dentro do ônibus: “Olha, é Niki Lauda”. Todos olham, parecem animados. Não sabia quem era, por isso, nem olhei. Se olhei, não lembro. Acho que de onde estava, não dava pra ver muita coisa. Só vi quando o tal famoso saiu dirigindo um carro super chique e caro. Depois, alguém esclareceu pros desinformados como eu que era um piloto de Fórmula 1. Taí porque não sabia quem era. Sim, sou do país de Ayrton Senna, acho bom que ele tenha representado bem o país e tenha sido tão bom no que fazia, mas nunca gostei do tal esporte. Pra mim, não faz sentido, além de ser chato e barulhento. Devido a esse meu descrédito e desconhecimento, só bem depois fui lembrar que nos arredores de Budapeste acontece uma das famosas corridas, o grande prêmio da Hungria de Fórmula 1.

Pois bem, toda essa volta textual foi porque essa história me veio à lembrança anos depois, quando soube que estavam fazendo um filme sobre o piloto Niki Lauda. Ainda mais com meu queridinho, Daniel Brühl. Daniel! Ele daria outras divagações. Lindo, fofo e ainda excelente ator. Mas tive que desistir da ideia de fazê-lo meu futuro marido. De acordo com minha irmã, ele será meu futuro cunhado.

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Paixões juvenis à parte, essa história em Budapeste e minha admiração por Brühl me fizeram querer ver Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013). Algo sempre acontecia quando tentei vê-lo no cinema. Finalmente, vi em DVD, recentemente. Cara, adorei o filme. Não tinha quase nenhuma expectativa, não sabia nada do filme, nem da história, do enredo ou dos fatos verdadeiros. Quando vou assistir a um filme, prefiro não saber muito sobre, e acho que isso é bom. Então, apesar de não gostar nem um pouco do esporte da velocidade automobilística, adorei o filme, a história, as interpretações. O filme me ganhou. Uma prova de que se uma obra é bem feita, vai ganhar o espectador, independente de seus gostos pessoais. Claro, se esse tiver um mínimo de abertura.

Como não sabia de nada mesmo, foi surpreendente e emocionante até ver o acidente, o tratamento, as cicatrizes e deformações no rosto de Lauda. Depois fui checar para ver se aquilo tinha acontecido mesmo. Bem como saber mais de James Hunt, este também saindo muito bem na fita com Chris Hemsworth. Lauda: o racional e brilhante piloto. Hunt: um belo rival, um bom rival, um bon vivant, um cara legal, um dos poucos que Lauda gostava, um dos raros que ele respeitava.

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Juliana Rosas

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