as rosas falam

jornalismo, cultura e olhar crítico

Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias.

Um novo hino para um novo século

Silverchair e Matisyahu já clamaram posições ou hinos para a juventude. Temos um novo hino para os novos tempos?


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Somos a juventude, vamos jogar fora seu fascismo. Desculpem-se pela m***a de mais um dia. Somos a juventude. E os políticos acham que estão certos. Somos a juventude que os políticos julgam conhecer. Mas estamos batendo à porta da morte. Será? Nunca pensei em viver num mundo de mentalidade que julga estar tão certa sobre tudo. Mentalidade tão pequena e tão julgadora. Nunca pensei em viver num mundo como se este fosse uma corte de julgamento aberta. Talvez não queiramos viver num mundo onde a inocência é tão curta.

Vos compensaremos no ano 2000. Opa. Passou-se mais de uma década. E agora? Com quem se importa o mundo? A quem o mundo importa? Talvez não queiramos viver num mundo que não liga a mínima. Vos compensaremos no ano 2000. Construiremos no próximo ano. Endureceremos nessa era.

Esta é minha super livre tradução para a canção Anthem for the Year 2000, primeiro single do terceiro disco banda australiana Silverchair, Neon Ballroom. A canção fez sucesso à época e seu vídeo mostra o que parece ser um ambiente de eleição e enquanto a suposta candidata prepara-se para discursar na tevê, a rua parece estar literalmente em chamas numa revolta contra a tal candidata ou mesmo uma revolta social contra a classe política e a classe que domina a sociedade.

A mobilização invade o prédio das gravações e o que se mostra é que a tal candidata é, na verdade, um robô é caracterizado. Ao fim, a frase “Você é um produto da sua televisão”. O clipe ganhou o prêmio de melhor vídeo do ano na gala do MTV Video Music Awards da Austrália de 1999.

Desde que vi pela primeira vez o clipe, anos atrás, gostei bastante. E, naturalmente, pensei nas campanhas políticas de então. Quando me lembrei do vídeo em tempos recentes, fiquei pensando se qualquer semelhança é mera coincidência. Um bom tempo passou, pouco mudou. Embora em termos históricos, é pouquíssimo tempo. Deveria ter mudado?

Não quero adentrar em terrenos perigosos como de partidos e candidatos, então vou indagar se a juventude mudou, se cumpriu o que prometeu para os anos 2000, se avançou no novo século. Quando ouvi pela primeira vez a segunda estrofe, entendi “we are the youth that politicians are so sure”, o que poderia ser livremente traduzido como “somos a juventude que políticos julgam conhecer”. Em vez disso, a banda fala que os políticos julgam estar certos. De todo modo, questiono, nossos passos são assim tão previsíveis? Antes éramos rebeldes, hoje estamos conformados?

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Somos um produto da televisão? Estamos alienados? Hoje, parece que somos produto da internet, mas saímos da alienação? Sobre os candidatos, possuímos diversas fontes a recorrer em busca do bem, da verdade ou do melhor. Mas isso facilita? Pois, ao mesmo tempo, há inúmeras, infinitas, múltiplas vozes. Onde e quando saber se nossx candidatx é apenas um robô governado por outras forças? Sejam essas forças bancos, empresas, partidos ou marqueteiros?

Vou recorrer a outro “hino” da juventude para terminar com alguma esperança. Matisyahu afirma que a juventude é o motor do mundo e clama: “o controle está em sua mão, bata com a mão na mesa e faça sua exigência. Tome uma posição. Alimente a chama do fogo da juventude. Você tem a liberdade para escolher. É melhor fazer a demanda certa. Jovem, o poder está em suas mãos. Bata a mesa com força e faça sua reivindicação. É melhor fazer a escolha certa.”


Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias..
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