as rosas falam

jornalismo, cultura e olhar crítico

Juliana Rosas

Jornalista e cinéfila. Fotógrafa nas horas vagas. Amante das artes nas horas cheias.

Love like crazy

Paixões, encantos e desencontros em dois filmes com amores intercontinentais.


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Foi impossível não lembrar do mais recente “Simplesmente acontece” (Love, Rosie, 2014) após assistir a “Loucamente apaixonados” (Like Crazy). Embora seja uma produção de 2011, só assisti há pouco. Love, Rosie é uma produção britânica, com atores britânicos, passado na Inglaterra, embora um dos pares do romance acabe passando um tempo nos EUA – um dos fatos que desembocará num dos muitos desencontros. Like Crazy é um filme americano e a garota do par é inglesa. Ela é quem está estudando nos EUA. Além do tema UK/USA, o filme também é caracterizado pelos desencontros.

Simplesmente acontece tem seus ares dramáticos, mas possui uma atmosfera mais leve, pendendo mais pra comédia romântica. Loucamente apaixonados tende mais para o drama romântico. O romance decola logo de início, para depois se ver diante de desencontros. Já Simplesmente começa e continua com desencontros. Havendo-os até em demasia. Nesse sentido, Loucamente é mais realista. Daí a razão de podermos rotulá-los de drama e comédia, respectivamente.

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Comédias românticas têm uma fórmula, a famosa: “boy meets girl, boy loses girl, boy regains girl”. Um monte de rolo acontece, para depois tudo ser lindo para sempre. O drama-romance pende para o lado real da vida. Afinal, quase todo romance começa lindamente para depois se ver definhar com os percalços da vida. Hora do spoiler alert.

Pois bem, em Loucamente, os desencontros começarão com o fato de Anna ser inglesa em solo americano. Ela conhece Jacob prestes a se formar e ao terminar a faculdade, deveria deixar o país, pois seu visto é apenas de estudante. Apaixonados “de montão” (“like crazy”), decidem fazer a besteira de esticar o tal prazo e Anna fica no país mesmo assim. Ela volta à Inglaterra brevemente, para o casamento de uma amiga e, ao retornar para os EUA e para o amado, não consegue nem mesmo deixar o aeroporto. Deve retornar à Inglaterra imediatamente e de lá resolver a questão da imigração.

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Começam os desencontros, pois a pendenga imigratória demora mais que o esperado. Eles resolvem ser apenas amigos. Não conseguem. Ele viaja à Europa. Há percalços, mas o amor parece sobreviver. Resolvem casar na Inglaterra. Mesmo assim, persiste o problema do visto americano. O visto de casamento não é liberado. Problemas ressurgem. Cada um volta a sua rotina e seu país, e acabam voltando para antigos/tendo novos amores. Como era quase de se esperar, o visto sai quando eles estão em outras relações.

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O final, para mim ao menos, foi quase uma incógnita. Meio um anticlímax. Talvez por esperarmos todo aquele grand finale digno das comédias românticas. Não só pelo fim, mas pelos seus percalços, Loucamente vem nos lembrar que mesmo loucamente apaixonados, a vida segue. Coisas e pessoas vêm e vão. Shit happens. Burocracia atrapalha. Bem como mau humor, brigas, vizinhos sexy, ex, etc. Depois da paixão avassaladora, chega a hora do amor “racional”, real, cotidiano, regado a procura por emprego e contas. Ele sobreviverá?


Juliana Rosas

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