astronauta

Entre os voos sub-orbitais e os delírios cotidianos.

Mylena D'Queiroz

"8.
Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte."
In: Crepúsculo dos ídolos.

Entre as palavras do sertão há um elo: a poesia de José Inácio Vieira de Melo.

Educado poeticamente pelas pedras de João Cabral de Melo Neto, pelos caminhos a Grécia apontados por Gerardo de Mello Mourão, e outros ilustres, o poeta alagoano é antes de tudo sertanejo, homem das terras e dos cantos.
"Essas terras são minhas
Sobre elas hei lavrado a escritura de meu canto" Gerardo Mello Mourão.


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"No começo Deus criou o céu e a terra. A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente" e depois, todo sertanejo achava que a bíblia quase que retratava a nossa gente.

A obra de José Inácio Vieira de Melo é populada por inúmeros personagens, dentre eles tantos bíblicos. Isso porque seu vasto conhecimento, sua formação poética ora erudita ora popular (e combinação mais bela que essa não há), não o desvencilhou da referência católico-sertaneja que o ambiente de onde veio propõe. Vaqueiros e cangaceiros não poderiam deixar de também lá estar, afinal "nosso heroísmo é trágico" como diz o verso do poema Caligrafias, e há nisso muita história a ser contada. E assim, sua poesia nos chama: "Vamos cantar um galope / no coração da caatinga"

Ainda aos 15 anos já havia lido a bíblia de "cabo a rabo" e se Gerardo de Melo afirma que o sertão é a Grécia, JIVM afirma que "a bíblia é o sertão" e diz mais: "A bíblia é toda feita em um sertão desgramado, em um sol de lascar o cano. O povo criando cabra, bode. É a mesma coisa. Um mundo arcaico de deus"

Nesse mundão de deus, sendo o poeta também inspirado por Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga, há Toada para o Tempo, há Aboio, há lugar para a "Glória de Aquiles, Intrépido guerreiro", há lugar para Corisco e também para Davi, como canta em seu livro Pedra só:

"As mulheres cantam ao redor da fogueira a glória das estrelas no reino da pedra só. E o cangaceiro Corisco dança um estranho xaxado. E Davi, o rei pastor, com seu esquisito balé."

O poeta das pedras traz a poesia propriamente cantada. Ritmada. Aboiada. Que galopa pelo seco chão. É um cabra macho e cabra da peste das palavras. E é mais:

"Um matuto sem eira nem beira, Labutando com palavras, Vaquejando boiadas de signos Por caatingas labirínticas Numa peleja sem fim."

É pelejador. E da poesia vê-se dor, da dor faz-se poesia. E da pedra sai cantoria e honraria


Mylena D'Queiroz

"8. Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte." In: Crepúsculo dos ídolos..
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