astronauta

Entre os voos sub-orbitais e os delírios cotidianos.

Mylena D'Queiroz

"8.
Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte."
In: Crepúsculo dos ídolos.

Lobato foi aos Brasis

"A lição maior de Lobato é a sua própria e tumultuosa riqueza humana. Creio mesmo que dentro de vinte anos ele estará incluído nos manuais de história e cultuado na memória do povo, como uma espécie de herói civil da literatura."
Drummond


Euclides da Cunha já denunciara que "O Brazil não conhece o Brasil [e] O Brasil nunca foi ao Brazil". Expor descasos, aliás, foi algo que fizeram bem os modernistas, alguns com seus duplos movimentos de vanguarda e tradição, ao mostrar-nos o país. Basta lembrar Monteiro Lobato, Lima Barreto ou o autor d'Os Sertões.

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O escritor de Taubaté ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis. Lembremos que, segundo Emília, a eterna boneca de pano, “Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos – os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens populares”.

Monteiro Lobato (1882 – 1948) nos leva ao Brasil quinhentista em "As aventuras de Hans Staden", populariza o Saci-Pererê, personagem folclórico do Sul do Brasil em "O Saci-Pererê: resultado de um inquérito", bem como a Cuca, com sua última aparição em "Histórias diversas".

Mas, não é apenas dessa forma que Lobato nos leva, com suas inúmeras publicações, ao Brasil plural. Afinal, asseverava em "Cartas escolhidas" que "Não há cultura possível sem livro e livro barato, livro que penetre nas massas populares e lhes erga o nível mental. Que nos vale ter picos como Rui Barbosa, se a planície se apresenta um dos mais baixos níveis culturais do mundo? (...) O livro barato, acessível ao povo, tem sido a nossa obsessão de editores falidos e ressurgidos, (...)." E, assim, aceitando suas profissões como missão, o escritor de obras que levam-nos ao Sítio do Pica-Pau Amarelo, com a "Monteiro Lobato & Cia" torna-se mais que editor. Edita e publica obras extremamente bem elaboradas, com programação visual, tipografia elegante, capas chamativas e desenhadas. (FENSKE, Elfi Kürten) download.jpg

Sua visão do Brasil Caipira e Sertanejo muda quando descobre o Amarelão "Uma doença que muitos confundem com a maleita", e assim o Jeca Tatu torna-se ícone da denúncia ao descaso do interior do país.

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Há mais de um Brasil, mostrava-nos também Darcy Ribeiro. E Monteiro Lobato, magistralmente, soube conhecê-los e retratá-los em sua forma mais pura. À medida que conhece os Brasis, muda e aperfeiçoa sua opinião acerca da política e da cultura brasileira. À criança, mostra mais que o próprio país. Expõe Cervantes, expõe Herculano. Pois ao taubateano, "para crianças, um livro é todo o mundo"

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É necessário reler o Monteiro folclorista.


Mylena D'Queiroz

"8. Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte." In: Crepúsculo dos ídolos..
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