astronauta

Entre os voos sub-orbitais e os delírios cotidianos.

Mylena D'Queiroz

"8.
Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte."
In: Crepúsculo dos ídolos.

Mulheres Na Luta: 150 ANOS EM BUSCA DE LIBERDADE, IGUALDADE E SORORIDADE

"No século 19, a vida entre homens e mulheres era muito diferente".


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Confesso que gostaria de ter lido mais livros durante o período inicial deste ano de 2020, em que estive, quase sempre, em Aachen. Por outro lado, aproveitei ao máximo o momento de bolsista WinterKurs/DAAD para viver uma série de experiências que incluíram diversas viagens. Isso além das aulas de alemão: ou seja, talvez essa confissão tenha um quê de fajuta.

O fato é que, logo nos primeiros dias na cidade, fui com um amigo à Mayersche Buchhandlung, que fica próximo à Sprachenakademie, onde estudamos, e comprei Rebellische Frauen - Women in Battle: 150 Jahre Kampf für Freiheit, Gleichheit, Schwesterlichkeit [Mulheres Na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade] e Die drei Leben der Hannah Arendt. Comecei, a duras penas - isto por meu alemão intermediário, não pelo conteúdo - pelo primeiro. Na Narrativa Gráfica, a jornalista Marta Breen e a ilustradora Jenny Jordahl apresentam um panorama de ativistas e momentos significativos para conquistas de direitos das mulheres, trazendo questões como as lutas pelo direito à educação e ao trabalho, pelo direito ao voto e pelo direito às decisões sobre o próprio corpo.

Os traços da cartunista e o tom leve da escritora, apesar dos temas complexos, dão uma aura didática à narrativa, que cumpre sua proposta. As mudanças entre os temas e os períodos são marcadas pelas variações de cores das páginas: Azul para Mulheres contra a escravidão, Verde para Luta pelo direito à educação formal e Vermelho para Luta pelo direito ao voto, por exemplo. Surgem figuras como Rosa Luxemburg, Emmeline Pankhurst, Sojourner Truth, Margaret Sanger e Malala Yousafzai enquanto personalidades que ilustram esse recorte de movimentos sociais.

Abolicionista.jpg Uma mulher era considerada politicamente incapaz, assim como uma criança ou um escravo.

Para além da GN, no Brasil, uma das primeiras mulheres que veio a público tratar sobre o direito à educação e ao trabalho foi Emilia Moncorvo Bandeira de Mello [1852 - 1910], sob o pseudônimo de Carmen Dolores. As crônicas da jornalista e intelectual da Belle Époque, conforme Schuma Schumaher, "são preciosos documentos de uma época em que as mulheres estavam circunscritas ao espaço privado, tornando-se, assim, uma pioneira, ao expor na grande imprensa temas como a educação da mulher, a defesa de seu ingresso no mercado de trabalho, a defesa do divórcio legal".

Outros nomes, como Maria Firmino dos Reis, Nísia Floresta, Bárbara Heliodora, Julia Lopes de Almeida, Maria Benedita Bormann, dentre outros de diversas intelectuais brasileiras que mobilizaram discussões em períodos passados, ainda precisam de maior notoriedade nos mais diversos ambientes. Disse a escritora inglesa Virgínia Woolf que, "por muito tempo, anônimo era uma mulher". Cabe a nós, portanto, tirá-las do anonimato.

Apesar da minha lenta leitura da obra - cerca de quatro dias, pelo contexto já citado e por motivos já ditos - a narrativa é curta e bastante dinamizada. No Brasil, a obra Mulheres Na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade foi lançada pela Companhia das Letras, também em 2019, e está disponível em diversas livrarias.


Mylena D'Queiroz

"8. Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte." In: Crepúsculo dos ídolos..
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