astronauta

Entre os voos sub-orbitais e os delírios cotidianos.

Mylena Queiroz

"A vida é mutirão de todos".

NARRATIVAS DA CRISE DO PATRIARCADO NA LITERATURA BRASILEIRA


Com a ideia de formar um mosaico com as pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade, da Universidade Estadual da Paraíba, iniciada com Trabalho imaterial das personagens secundárias mulheres na literatura contemporânea, entrevista com a doutoranda Silvanna Oliveira, desta vez é Patrícia Costa quem fala sobre seu trabalho de pesquisadora a respeito de Narrativas da crise do patriarcado. Selecionou-se como objeto dessa pesquisa um conjunto de obras, a partir do qual será escolhido o corpus a ser analisado interdiscursivamente as seguintes narrativas: Cartilha do Silêncio (1997), de Francisco José Dantas; O Anjo do Quarto dia (2013), de Gilvan Lemos; Liturgia do fim (2016), de Marília Arnaud; Vasto Mundo (2015), de Maria Valéria Rezende; e Faca (2009), de Ronaldo Correia de Brito.

Patrícia.jpg Foto de acervo pessoal

Patrícia, mestra em Literatura e Interculturalidade, fala mais sobre suas aspirações com este trabalho em andamento:

1- Qual a motivação para a escolha do objeto e/ou das obras que compõem teu corpus? Exatamente pelo fato de terem em comum alguns quesitos como: Autor/Autora nordestino (a); Produção realizada entre 2010-2020; Ambientação rural; Prioridade para o protagonismo feminino. Essa seleção de obras não só me deu a oportunidade de problematizar o “Regionalismo” (e, aqui, entre aspas, já que se faz enquanto um termo complicado em nossa área); como também entender o porquê da persistência desse tipo de produção, o que me levou diretamente às discussões socioculturais, bastante pertinentes ao PPGLI.

2- O que, na tua perspectiva, diferencia o modo de condução de leitura do PPGLI de outros programas de letras em geral? Uma palavra resume muito bem o PPGLI para mim: Liberdade. Por ser um programa que preza pela interculturalidade, não nos sentimos amarrados, enquanto pesquisadores, a determinados críticos ou teóricos para fundamentar nossa pesquisa. Além disso, há a possibilidade de trabalho com diversas obras, incluído as- infelizmente- chamadas de “paraliteraturas”, o que nos proporciona um conhecimento muito mais diverso e problematizador, cada vez mais condizente com a nossa sociedade e seus decorrentes problemas.

3- Quais discussões levantadas na produção da tua tese se relacionam diretamente com análises sobre questões/entraves sociais, culturais e/ou políticos contemporâneos? Principalmente por conseguir relacionar o trágico com a cultura/sociedade. Nas obras que constituem meu corpus geralmente encontramos um patriarcado em decadência - o que, por si só, já é muito problemático- com personagens femininas que, para quebrar com as amarras produzidas por esse contexto sociocultural, acabam cometendo/sendo induzidas a atos trágicos, como tirar sua própria vida; enlouquecer; cometer homicídio etc. O estudo acaba sendo uma oportunidade de reafirmarmos tanto a persistente existência dessas violências - o que impulsiona à luta contra esses mecanismos de opressão que ainda maculam nossa sociedade - quanto a valorização da tendência que o PPGLI tem de discutir abertamente tais questões.

Ela por ela: Meu nome é Patrícia Costa, tenho 28 anos e me considero leitora assídua desde os 16. A Literatura, inclusive, foi um dos grandes motivos pelos quais permaneci no curso Letras, graças às instigantes discussões sobre o texto literário produzidas pelos professores da Universidade Estadual da Paraíba. Aproveito essa informação para sinalizar que a UEPB sempre foi meu lar acadêmico, visto que ingressei em Letras no ano de 2010 e continuei meu percurso entrando no Mestrado em Literatura e Interculturalidade no ano de 2015. Hoje, estou no terceiro ano enquanto Doutoranda, ampliando uma pesquisa que nasceu pelos corredores daquela Universidade. No Doutorado, decidi ampliar o estudo voltado para o trágico social na Literatura Brasileira Contemporânea do Nordeste. Isso porque, na oportunidade de estudar essa área da Literatura Nacional desde a graduação, me deparei com a persistência da produção de obras nordestinas que ainda permanecem ambientando suas narrativas, tendo geralmente como enredo a decadência patriarcal, em espaço rural. Nesse quesito e levando em consideração a negação da crítica nacional para esse tipo de construção narrativa, acreditei ser possível produzir não só um estudo inédito, como também contribuir para uma visão menos estereotipada da Literatura contemporânea de nosso país.


Mylena Queiroz

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