atenciosamente...dominique.

Disseram que era só uma fase.

Dominique Silveira

Tropeça muito, pois cresceu demais. Acorda de mal humor, e é adepta da gentileza. Casca dura, coração mole.

Cadê a empatia que estava aqui?

O gato comeu.


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Segue o cenário:

A garota vai numa festa para rever os amigos que há tempos não mais via. E foi delicioso, tudo. Abraços saudosos, sorrisos, danças, conversas. No entanto, uma conhecida que ali estava, se aproxima com um olhar de cima abaixo e dispara:

- Tá mais fortinha, hein?

Desconcertada e achando engraçada a pergunta, a moça replica:

- Gorda, você quis dizer? Olha...tem tanto tempo que você não me vê, que...vai por mim...você não me viu gorda. É que eu dediquei praticamente meu ano inteiro a cuidar de alguém importante em minha vida que adoeceu, então de fato não tive muito tempo para cuidar de mim, sabe como é que é.

fix you.jpg Imagem: Tumblr

A garota volta para casa pensando na deselegância maquiada com o "pó compacto" da pergunta e com o "blush" da palavra Fortinha (gorda). Depois pensou na réplica que deu. Depois no olhar de constrangimento da pessoa diante da réplica. Então fixou em dois pensamentos:

1 - Ao falar o “sabe como é que é” ao final da resposta, a garota sabia que, na verdade, a autora da pergunta não “sabia como é que era”. Na verdade na verdade, ela não sabia de nada;

2 - Quando é que o interesse genuíno em saber do bem estar alheio deixou de ter importância frente a aparentar estar abaixo ou acima do peso, com mais ou menos cabelo, vestindo determinado tipo de roupa?

Evidentemente, a aparência física aqui é só um pretexto, uma desculpa esfarrapada para algo mais denso. A questão é: Porquê, vez em quando, caímos na cilada de falar primeiro sobre a aparência das pessoas que encontramos em nossas vidas antes de sabermos como elas têm passado?

empatia-03.jpg Imagem: Google

A resposta: Falta de prática com a empatia.

E note, isso é muito comum entre nós, mulheres.

Colocar-se na pele do outro é tão sofisticado e fora do alcance quanto aqueles artigos de luxo absurdamente caros que vemos nos documentários do Discovery Channel. E o mais irônico nisso é que empatia é cara, mas é de graça.

Hilário.

empathyquote-300x263.jpg "Eu acredito que a empatia é a qualidade mais essencial de civilização" (Robert Ebert)

(pausa porque lembrei do Woody Allen. Queria que ele fizesse um filme para me esclarecer essa questão).

Então porquê escrever sobre algo que, de tão corriqueiro, aceitamos?

Porque aceitamos.

O que não significa dizer que se você faz parte das pessoas que já disseram o fortinha para alguém (chegue cá, segure minha mão, estamos juntas), isso fará de você uma pessoa de caráter duvidoso. Da mesma maneira que ouvir de alguém o fortinha (você está segurando minha mão ainda, né?) deverá desestruturar você.

resiliencia_150_2.jpg Imagem: Google

Mas já que estamos de mãos dadas, poderemos aqui começar, a partir da reflexão trazida nesse texto besta, a nos acostumarmos com a ideia de nos posicionar.

Não falo aqui de ficar na defensiva sempre, porque né. É chato, e pouco didático. Falo em tornar cristalino para alguém (e numa boa) quando ela estiver sendo demais. Afinal de contas, a ela não foi dada a alçada para te deixar desconfortável com você mesma, certo? A ninguém.

A partir disso, quem sabe, ela pode vir a rever sua visão sobre as pessoas. Possivelmente se questionar sobre sua postura e, na melhor das hipóteses, perceber que ela não precisa se sentir melhor à luz de algum possível “defeito” (note as aspas. Não é defeito) de alguém, ainda que esse alguém (você) se sinta maravilhoso (a), serelepe e saltitante consigo mesmo, não importa o que a balança, a calça jeans e os outros digam. Isso sim é que interessa.

Mas é necessário que este tipo de comportamento comece a perder força. Que entendamos o quão sermos empáticos e “vestirmos os sapatos dos outros” faz, no mínimo e no pior das hipóteses, bem a nós mesmos. Na melhor delas, ajuda a melhorar o convívio, as relações humanas, a conexão que misteriosamente estabelecemos com conhecidos e desconhecidos.

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Então proponho aqui que comecemos a ressignificar nosso olhar sobre as pessoas que nos cercam e sobre as que cruzam, sem mais voltar, em nossos caminhos. E, relembrando o exemplo que citei acima, talvez você possa substituir o fortinha pelo Forte.

resiliencia-9-2.png Imagem: Google

Porque olha...diante de tantas provações que (todos) passamos no cotidiano, acredito eu que seja esta a palavra que mais faça sentido.


Dominique Silveira

Tropeça muito, pois cresceu demais. Acorda de mal humor, e é adepta da gentileza. Casca dura, coração mole..
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