atualidades

Pensamentos críticos diante daquilo que acompanha o momento presente.

Anna Claudia Rodrigues

Uma pisciana que de tanto amar, morreu. Estudante de filosofia. Atriz que vive da dor, e sonha em ser uma folhinha de grama no alto de uma montanha inexplorada.

A New Moda De Não Estar Na Moda

Visão menos generalizada do modo como as pessoas se vestem. Liberdade de sair por aí como bem entenderem. Demorou a ficha quilométrica da nossa sociedade cair mas, agora que estamos nos tempos de "URRULLL podemos tudo" use e abuse do conforto que os seus trapinhos dos finais de semana te proporciona, para quem sabe, ir a uma festa casual no fim do dia. AhH, ô belezura!


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A moda passou por várias transformações, muitas vezes seguindo as mudanças físicas e principalmente sociais que ocorreram dentro de um determinado período. A moda digamos que: é considerada o reflexo da evolução do comportamento. Uma espécie de retrato da comunidade. Tem uma linguagem própria com significados diferenciados. Instiga novas formas de pensar e agir. Ao longo de muitos anos para os viventes de moda o mundo é feito de recortes, cada década uma estampa, cada ano um tecido, cada mês uma frescura diferente para se adequar as estações e aos padrões de uma sociedade consumista e capitalista da qual sou de esquerda.

A “doença” de ser cult, hippister, e sei lá mais o que, vem sendo “combatida” com altas dose de antibióticos (oi, acordei pra realidade). Pessoas que se identificavam com esses estilos agora não se vestem mais a caráter, aliás preferem não seguir tendência nenhuma e usam o que lhes der na telha, os fashionistas o chama de “normcore”, já eu prefiro o termo: “ease” e vejam só meus caros, eu sempre tive na moda e não sabia, eu sempre fui uma “normcore”.

–“Não é todos os dias que quero ser uma skatista, não é todos os dias que quero ser uma popstar, ou uma rockeira rebelde, assim como não é todos os dias que quero me deixar largada”, diz uma adepta dessa fase polêmica. Acredito que essa nova visão faça com que os jovens percebam que a diferença está nas atitudes das ações e não em uma quantidade de informações fúteis que só alimenta o próprio ego. Suas roupas definem o seu estado de humor (uma ova), se fosse assim todos os palhaços seriam felizes eternamente, ou todas as pessoas que se vestem desleixadamente seriam umas atoas. Sair sem maquiagem, de pijamão, com roupas fora de moda já não é mais um problema (escuto vozes dizendo amém), pelo menos para os bam bam ban’s da moda. Agora basta meio mundo de gente aderir o “sou natural, e tenho defeitos sim!” para as discursões sobre os excessos dos excessos ganharem mais espaço na cabeça das pessoas. Que fique claro, não estou criticando a moda que é uma extensão das culturas enraizadas até os dias de hoje, sei que dentro desses paradigmas estéticos há várias tendências que busca o bem comum, mas, ainda é bastante lúdico. Meu desconforto é com relação à capacidade com a qual as pessoas são influenciadas pelos modismos passageiros, fruto de frenéticas e inusitadas doses de popismo youtubiano, redes sociais, e afins.

Ser discreta e se sentir confortável agora são moda, coisa que eu sempre imaginava que fosse essencial na nossa vida. Não tenho estilo porque sim, porque toda a multidão tenta ser diferentes e acabam sendo todos normais/iguais, tanto no modo de pensar quando no modo de se vestir. Eu estou um pouco desconfortável agora porque, o meu mundinho de universitária “antimodismo” foi descoberto, todos (ou quase todos) vão querer aderir os looks confortáveis também, ou seja, eu vou estar na moda! (nãããããooO). O fato de você admirar uma forma de pensamento, de atitude, não significa que você deve se moldar da aparência dessa pessoa, não é porque o seu ídolo vai á uma instituição de caridade com uma melancia na cabeça que você deverá fazer o mesmo ao visitar outra instituição de caridade. Tenha ídolos não sou contra, mas se inspire no que ele passa como ser humano afetivo e nas mudanças sociais que ele proporciona.

Menciono sempre a questão da influência que os meios de comunicações têm. A moda fácil, por exemplo, sempre esteve acessível a todo mundo, mas só porque aconteceu outro dia à fashion week em Milão, e vários estilistas esbanjaram a normalidade, agora todos falam, e publicam e debatem sobre essa nova tendênciazinha, como a melhor. Podemos tudo, e essa fase mostra-nos que não existe mais aquele negocio de masculino só para homens e feminino só para mulheres, a mescla e o conforto é a base para o sucesso.

Por fim, não podemos deixar que somente o modo como nos vestirmos chame a atenção, precisamos pensar, ter voz, mudar esses dilemas de aparências. Precisamos entender que não é porque eu me visto igual aos famosos que vou passar por cima das pessoas. Roupas, acessórios, e mimimi, são capas, uma casca que não te define por completo, que cobre sim suas imperfeições, mas que também te veda para o mundo sensível.


Anna Claudia Rodrigues

Uma pisciana que de tanto amar, morreu. Estudante de filosofia. Atriz que vive da dor, e sonha em ser uma folhinha de grama no alto de uma montanha inexplorada. .
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