atualidades

Pensamentos críticos diante daquilo que acompanha o momento presente.

Anna Claudia Rodrigues

Uma pisciana que de tanto amar, morreu. Estudante de filosofia. Atriz que vive da dor, e sonha em ser uma folhinha de grama no alto de uma montanha inexplorada.

Eu Não Estava De roupa Curta, Juro!

Mando um “Bléh e o meu dedo do meio” pra essa covardia máscula, (homens me odiando nesse momento), independentemente da cultura ou sei lá mais do que, nessa tática de guerra testosteronica existe apenas uma verdade universal, aplicável a todos os países e comunidades: A Violência nunca é aceitável, nunca é perdoável, e nunca é tolerável.


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A violência sexual é uma das muitas “epidemias” que afeta milhões de pessoas, principalmente mulheres e meninas. O estupro é a maneira mais escrachada do homem provar e admitir que é um ser selvagem e indigno do meu pesar. Muitas mulheres, crianças e/ou mesmo outros homens já foram vítimas dessa inescrupulosa ação. Sinceramente é repugnante, minha vontade é de vomitar quando ouço casos de amigos, conhecidos ou até mesmo quando leio nos noticiários da minha vida corriqueira. É inacreditável que em pleno século XXI quase XXII atitudes como esta, que destrói a vida de outra pessoa seja capa da semana. Não consigo me estruturar diante de uma situação dessas, mas trabalhando aqui com suposições eu preferiria morrer, não aguentaria as lembranças do trágico episódio, e como tenho memória de elefante, isso seria um carma, um espectro em minhas noites de sono tarja preta.

Pra quem preferiu a vida, tem minha eterna glorificação/admiração. Superação é sinônimo de recomeço, de adaptação (eu sei que não é fácil), e as lágrimas dessas pessoas, que antes desfrutava apenas da falsa liberdade pisciana, se veem agora pressas ao “chorume” do suor nojento dos maus feitores. Abençoadas sejam as casas e instituições de apoio às vítimas de abusos, desse mundo de merda. Abençoadas sejam as almas corajosas que ainda tem força para desabafar sobre esse assunto que tem cada vez mais espaço na mídia, mas, muito mais casos isolados do que tudo aquilo que a tv mostra. Suportar a dor, a vergonha, disfarçar, isolar-se do todo. Remoer, buscar respostas de; por que comigo? O que eu fiz? São dilemas que impedem as vítimas de abuso sexual de seguir uma vida normal, sem traumas. Eu choro em pensar que não estou imune a tudo isso, eu sofro em pensar que tenho que pegar ônibus à noite, vir sozinha da faculdade, me reprimir de fazer o que quero por amor a minha vida. Eu sinto medo. Muito medo. E de quem é a culpa? “Minha, por estar andando tarde da noite sozinha? Ah, é da menina que estava com roupa curta, e blá blá blá...”

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... Pra mim a culpa é da sociedade, que esta, molda seres capazes de cometer tamanhas atrocidades por conta do excesso de futilidades que nos envolve. A maldade sempre existiu, filósofos e pensadores já dissertavam sobre isso em suas coleções históricas. O que não me desce garganta abaixo é o fato de um ser (que no meu ver) é doente mentalmente, consegue se suportar no outro dia. Ele acabou com sonhos, com laços, e com histórias de outrem. Ai, que vontade de mandar todo mundo ir tomar naquele lugar e nos unirmos contra esses “mais dos mesmos”. Agimos passivamente. Eu confesso, eu atuei passivamente diante disso tudo por anos, porque cresci (é, não cresci tanto assim) num lugar pacato onde esses ainda são assuntos tabus. A vida está em constante transformação já dizia Heráclito de Efésio, e nada me impede de mudar, como de fato estou.

Gritemos!!!! “Ei polícia, prender bandido é uma delícia!”

B.O feito, e criminosos soltos. “Ok tranquilo, de boa, depois que os meliantes cometerem a sua milésima vítima fazemos mais esforço para prendê-los”. Posso estar dizendo asneira, mas essa é minha visão. Polícia tem que “tá” é nos becos sujos e escuros, não fazendo ronda em bailezinho de madame. Verdade seja dita, o bandido é o cara mais livre que existe, ele não cumpre as leis da polis, faz o que quer, e quase sempre fica impune. O mais bizarro é que as vítimas, buscando entender a situação (já escutei muito disso) empobrecem o seu psicológico, se alto culpando.

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Eu estou “morta” com esses dados do Banco Mundial: Cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. As mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária. Mando um “Bléh e o meu dedo do meio” pra essa covardia máscula, (homens me odiando nesse momento) independentemente da cultura ou sei lá mais do que, nessa tática de guerra testosteronica existe apenas uma verdade universal, aplicável a todos os países e comunidades: A Violência nunca é aceitável, nunca é perdoável, e nunca é tolerável.

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Anna Claudia Rodrigues

Uma pisciana que de tanto amar, morreu. Estudante de filosofia. Atriz que vive da dor, e sonha em ser uma folhinha de grama no alto de uma montanha inexplorada. .
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