Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

Grandes personagens se encontram

Dois dos maiores temas ou personagens não humanos se encontram. As mais variadas formas de expressão artística tratam deles, a poesia, a literatura e a pintura se esbanjam fazendo isso. A ciência também se envolve intimamente com os dois, a medicina e a psicanálise em especial. Vamos saber quem são esses personagens, ver um pouco o que eles já inspiraram e ainda conhecer o trabalho de uma brasileira que mistura robótica, arte digital e psicologia.


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Eles se conheceram de um jeito atípico, em um momento raro. Ela disse como quem recebe: quem seria?

- Sou eu o mais honesto, disse ele.

- Ué, se és quem imagino quase nunca te entendo e olha que sou paciente para tudo, afirmou a moça.

- É que eu fujo de você, és muito definitiva pra mim.

Parece que eles estão mais próximos do que é possível e mesmo assim desconfiados. Ele tem orgulho de ser um espelho para as pessoas que o usam para se entender. Por outro lado ela é temida por só ter tido relações fortes e inexoráveis.

- Como você me imagina? Perguntou ela.

- Um pouco prepotente pelo fato de que ninguém faz pouco de você e, além disso, me parece muito distante sempre, respondeu o rapaz.

- Mas quem banca de misterioso aqui pelo que me consta é você, e ainda tens um ar de visita noturna que não lhe dá muita credibilidade.

Os dois discutiram por mais um tempo, ele ponderou que não há mistério maior que ela, enquanto isso ela afirmou que entre eles ele era o único mistério que valeria a pena desvendar. Ao se despedir, já que ele não ia ficar ela perguntou:

- qual seu nome?

- Sonho, e o seu?

- Morte.

Ambos falaram juntos:

- foi um prazer!

27628302e47a1f69da27318b9e2855a2_3_image001.jpg O sonho, de Pablo Picasso

a_vida_e_a_morte_klimt.jpg "A vida e a morte" de Gustav klimt

A primeira e a última foto da postagem fazem parte do trabalho de Anaisa Franco, mineira que no meio desse ano apresentou em Berlim um projeto chamado "Flutuações Oníricas". A artista plástica usa conceitos da psicologia para criar esculturas e instalações que brincam com os sentimentos e com a imaginação.

"Eu coleto sonhos das pessoas e vou criando plataformas efêmeras. Através de animações, eu transformo esses sonhos em realidade, projetando esses sonhos [imagens] nessas plataformas". Essas plataformas de matéria efêmera são água, fumaça e bolhas de sabão. "Busco misturar materiais e criar outra visualidade, que não seja apenas uma tela", disse a artista brasileira.

johanngeorgmeyervonbremen1813-1886_thumb.jpg JOHANN GEORG MEYER VON BREMEN

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O sonho e a morte são assuntos recorrente desde tempos imemoriais e seguirão na agenda da arte, da filosofia e da ciência até quando os seres humanos dotados de inteligência e sensibilidade existirem.

Kant dizia que o sonho era uma arte poética involuntária, eu diria que uma poética, além disso, não sistematizada talvez. Já Van Gogh sobre sua produção teria dito: "eu sonho a minha pintura, e então eu pinto meu sonho".

alexandre-guillaumot1815-1892_thumb.jpg Alexandre Guillaumot

A morte por sua vez é sempre dúvida, um vácuo, uma catarse que apesar de estar relacionada a tristeza, ou justamente por isso, é inspiradora. Fico com Friedrich Nietzsche, que do alto do seu niilismo dizia que temos a arte para não morrer da verdade.

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Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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