Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

Museu Nacional del Prado - Madri

Madri é um ótimo lugar para quem gosta de história e arte, cidade de museus privilegiados entre outros encantos. Lá estive na virada do ano e fui ao Museu Nacional del Prado, sua coleção permanente tem o maior acervo de pintura espanhola do mundo. Nas fotos estão os quadros que mais gostei, e ainda um comentário sobre a obra “Las meninas” de Velázquez.


Las_Meninas_by_Diego_Velázquez.jpg “Las meninas” de Velázquez

O famoso Século de Ouro Espanhol, que abrange estética e historicamente o período renascentista, está retratado no Museu Nacional del Prado nas suas mais proeminentes obras.

Esse período é a era dos célebres pintores espanhóis, nomes como El Greco, Ribera, Zurbarán, Murillo e Goya, é também quando surgem grandes escritores, entre eles, Cervantes. Esse é o século da liderança espanhola nas Grandes Navegações, que representou seu apogeu econômico.

goya la era ou el verano.jpg La era ou el verano de Goya

Além disso, o Museu do Prado reserva salas de pintura alemã, italiana, francesa e britânica que compreendem o período de 1300 até 1800. Isto é, o Renascimento, nas suas mais variadas expressões, se encontra nesse grande museu. Desde Caravaggio, passando por Poussin até Rembrandt.

Não poderia deixar de mencionar a obra “Las meninas” (primeira foto), pintada em 1656 pelo espanhol Diego Velázquez, é o ponto alto da visita. O espaço em frente à tela é o metro quadrado mais disputado do museu, eu já tinha uma admiração particular pelo quadro e vê-lo de perto foi uma bonita experiência.

Bartolomé_Pérez_-_Basket_of_Flowers_-_WGA17190.jpg Canasto de flores de Bartolomé Pérez

Essa é uma das obras mais comentadas e analisadas da história da pintura, por isso não me arrisco a fazê-lo do ponto de vista artístico, apenas ressalto sua originalidade e criatividade. Inicialmente, a obra se chamava “A Família de Filipe IV”, ganhou o atual nome quando catalogado no Museu del Prado em 1843.

Na obra é possível imaginar que ele estaria pintando um retrato do rei Felipe IV e sua rainha, Mariana, tendo em vista, que os dois se encontram posando para serem retratados, refletidos no espelho ao fundo, no mesmo lugar que o espectador. A figura de Velázquez aparece como autorretrato no canto à esquerda do quadro, ilustrando seu ofício como pintor da corte à época.

Eduardo_Rosales_-_Juan_de_Austria's_presentation_to_Emperor_Carlos_V_in_Yuste.jpg Presentación de D. Juan de Austria al Emperador Carlos V, en Yuste de Eduardo Rosales Gallina (1836-1873)

Uma curiosidade especulativa interessante é que a cruz vermelha no peito de Velázquez indica sua posição de Cavaleiro da Ordem de Santiago, honra que só lhe foi concedida três anos depois da obra. Imagina-se que o artista tenha pintado o símbolo após ter sido consagrado cavaleiro. Será?

De estilo barroco e com espetaculares arranjos de luz, sombra, perspectiva e projeção, essa obra desafia a inteligência artística e abre flancos para abstratas e profundas interpretações.

P02823.jpg Jardin de las Delicias de El Bosco

Vale a visita a uns dos maiores museus do mundo.

Se for à Madri, visite o Museu Nacional del Prado.


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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