Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

A grande beleza

“La grande bellezza” (2013) é um filme de Paolo Sorrentino. Foi o escolhido para representar a Itália no Oscar 2014 como Melhor filme estrangeiro e venceu o Globo de Ouro. Ousado, o longa opta por fugas e surpresas estéticas, mantêm uma narrativa lógica, mas deixa o telespectador fazer escolhas.


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Onde está a beleza? Essa pergunta é feita pelo protagonista do filme, escritor cujo primeiro e único romance, “Aparelho Humano”, teve muito sucesso no passado.

Levando uma vida boêmia, de aventuras amorosas e relações efêmeras, Jap Gambardella busca uma beleza indescritível, a fim de voltar a escrever.

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O filme abusa da imagem como ferramenta de conquista, apesar de um certo minimalismo notado no roteiro, o enredo se encaixa dizendo o suficiente.

A arte contemporânea sofre genérica crítica em uma passagem do filme em que uma menina é forçada a “pintar” uma tela, com várias latas de tintas a sua disposição.

Ela o faz sofrendo e expressando seu ódio, esse processo parece constituir o valor do resultado, isto é, da obra.

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Encontrar beleza na arte contemporânea é um desafio bastante individualizado, não sou estudioso do tema, falo de minhas impressões.

Me parece que a arte moderna (ou clássica) oferece uma beleza mais coletivamente detectável, um encanto mais saudavelmente homogêneo.

05_Sabrina_Ferilli_La_grande_bellezza_foto_di_Gianni_Fiorito_6.jpg Sabrina Ferilli interpreta Ramona

Voltando, não posso deixar de mencionar dois elementos fundamentais sobre o filme:

- Roma é mostrada em toda sua exuberância, desde lugares conhecidos como o Coliseu (visto da sacada da casa do protagonista), até interiores de castelos com esculturas incríveis.

belleza1.jpg Toni Servillo interpreta Jep Gambardella

- A trilha sonora não é a cereja do bolo, é o recheio dele, de um bom gosto ímpar.

Mesmo para quem prefere filmes mais lineares ou menos poéticos, vale a pena apenas pela sensibilidade da trilha.

Diria que dentre as várias essa é a “grande beleza” do longa, abaixo um breve exemplo.


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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