Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

Efeitos da derrota

Competição de jogo único, de um esporte imprevisível e as pessoas elucubram razões específicas para derrota e projetam saídas para vencer daqui há 4 anos. E fazem isso de modo sério e enérgico.


thumb.jpg

Futebol penetrou na malha social do Brasil, tal como a religiosidade. Devaneios táticos, estruturais e de culpabilização individuais pululam nas bocas e redes. Relações estapafúrdias entre política eleitoral e resultados de um jogo de futebol são feitas passionalmente.

A grande imprensa dependente dos patrocínios esportivos e internacionais cria cenário de luto e exige explicações estatísticas que justificam algo encarado como o vexame moral de um país, como se fosse compatível a escravidão e ao analfabetismo, por exemplo.

Um esporte que era para ser razão de lazer e prazer para os espectadores, embora levado a sério e com respeito pelos profissionais (principalmente a elegância alemã no Brasil) se torna razão de debate cujas teorias centrais se assemelham a delírios religiosos.

Para além de teorias que ferem a probabilística (nem essa explica um jogo de futebol) vemos pessoas tratando um jogo de bola, de um curto mega evento que envolve negócios de poucos, como uma catástrofe terrível, porque lhe convenceram que tal jogo afeta sua vida emocional e material substancialmente, quando na verdade não muda em nada.

Derrota brasileira gera explosão de humor e criatividade nas redes. Quem não atribui ao futebol uma importância desproporcional se diverte. Essa é a dica.


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// //Gregório Grisa