Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

Nossa subjetividade de cada dia

Conhecer como você se constituiu como sujeito é pré-requisito para cuidar de si e dos outros.


e.jpg The masterpiece or the mysteries of the horizon - Rene Magritte

A espiritualidade, em grande medida, existe porque o ser humano, enquanto tal, não consegue chegar à verdade com precisão.

Não lhe é possível atingir a verdade, e essa incapacidade produz a espiritualidade, isto é, se faz necessário recorrer a uma dimensão que invente a verdade.

Há muitas formas de tentar alcançar a verdade, a espiritualidade é uma delas, as artes e as ciências também são. Espiritualidade aqui não é sinônimo de religiosidade.

O ser humano é um desconhecedor por natureza, assim como tem em si a curiosidade, lindo paradoxo.

Penso que um passo fundamental para se aproximar de algumas verdades é trabalhar com nossa espiritualidade, que podemos chamar também de subjetividade.

Magritte - quadro.jpg A perspicácia - Rene Magritte

Um sujeito disposto a conhecer, para além dos básicos exercícios intelectuais, deve estar atento a filosofia ou o conhecimento que transforma sua subjetividade.

O que isso quer dizer em bom português? Se alguém quer cuidar de si e dos outros tem de se ocupar em conhecer a si mesmo. Simples assim, tão dito e tão pouco ouvido.

Devemos ser nosso próprio "objeto do conhecimento". Nossos hábitos em geral, nossas formas de estar e olhar o mundo são laboratórios a serem sempre revisitados.

Quem pouco se pensa, pensa pouco. Muitas vezes queremos mudar algo em nós e não conseguimos por não entendermos porque somos de determinada forma, temos determinado comportamento nessa ou naquela situação.

140461-050-1687736A.jpg As boas relações - Rene Magritte

O ser humano tem vergonha de ser um desconhecedor, por isso se apega fácil em certezas e dogmas. Esses condicionam, criam manias, compulsões e teimosias.

"O vigor intelectual de uma pessoa é medido por sua capacidade de tolerar dúvidas", Ortega y Casset. As certezas em excesso são imobilizadoras, são pedras no caminho.

Equilibrar o conhecimento adquirido e a necessidade de sempre aprendermos e melhorarmos é um bonito desafio.

Dar atenção ao que modifica nossa subjetividade é um ótimo caminho para nos expressarmos melhor. Tanto pela linguagem quanto pelos comportamentos.

Como canta Lou Reed em Some Kinda Love "Entre a ideia e sua expressão, existe uma vida". Quanto melhor sabemos o que mexe conosco, o como podemos nos qualificar, melhor iremos nos expressar. Assim nossa comunicação será cada vez mais fiel às nossas ideias, mesmo que elas mudem, pra o nosso bem.

Claro que tudo isso é muito subjetivo, sabe como é, a subjetividade nossa de cada dia.


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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