Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

O retrocesso da terceirização

A terceirização, constata-se isso em experiências mundo afora, é a porta de entrada para a deterioração dos direitos trabalhistas, para a precarização do mundo laboral em todas suas esferas e dinâmicas.


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A terceirização abre caminho para a flexibilização da dignidade do trabalhador, isto é, instaura uma condição de instabilidade tal, que os direitos que o trabalhador acessa não são suficientes para que ele garanta uma reprodução social minimamente qualificada. Contratado e descartado, ao bel prazer dos cálculos pró competitividade das empresas, o trabalhador se coisifica, o trabalho é compreendido como custo e a pessoa humana que vende sua força laboral como única alternativa para viver, fica a mercê da flutuação do mercado.

Curiosamente todo esse movimento ocorre para manter as taxas de lucro, não se cogita flexibilizar tais taxas, um lado apenas é atacado com a terceirização, o do trabalho.

Apenas quem não trabalha, quem não corre o risco de ser um empregado terceirizado é que insinua dizer que a terceirização é interessante. Vivemos hoje no Brasil o maior ataque aos direitos trabalhistas desde da era Vargas e corremos o maior risco de perder conquistas desde o golpe empresarial-militar de 1964.

A terceirização já existe, em grande escala nas atividades meio, já há no Brasil a figura consolidada do intermediário, aquele que lucra ao ofertar um serviço mais barato com sua empresa, que se beneficia da condição de necessidade de setores vulneráveis da sociedade e os contrata por salários aviltantes e direitos escassos. O intermediário fica com uma segunda taxa de lucro sobre o trabalho, pois a empresa contratante fica com a primeira, o pouco restante fica com quem realmente trabalha, quem realmente produz, o trabalhador.

pl-terceirizacao-vitor-teixeira.jpg Por Vitor Teixeira

O absurdo proposto pelo projeto aprovado na Câmara é ampliar a terceirização para as atividades fins das instituições, escolas terceirizando professores, clínicas e hospitais terceirizando médicos, autarquias terceirizando técnicos e por aí vai.

Associações dos juízes do trabalho, do Ministério Público do Trabalho, sindicatos de todas as vertentes ideológicas, personalidades conhecidas (como as dos vídeos abaixo) se posicionam contra a terceirização. Vivemos um momento decisivo para o futuro da nossa e das próximas gerações, esse tema define um desenho de sociedade que se deseja, não é um assunto banal, é um eixo determinante da maneira como as relações sociais irão se desenvolver.

Concursos públicos são fundamentais para a qualidade dos serviços públicos, ter a carteira assinada diretamente com o empregador é fundamental para o equilíbrio das relações trabalhistas, ambas situações são conquistas frutos de décadas de luta das gerações anteriores, não podemos deixar passar tal retrocesso.

Caso o congresso aprove a lei das terceirizações a sociedade deve exigir o veto total da presidência da república e as entidades devem judicializar no STF a matéria de forma contundente. Nenhum político foi eleito para retirar direitos, os empresários que pagam as campanhas dos congressistas eleitos não podem governar o país e mudar a legislação ao bel prazer, muito menos a que se refere à conquistas históricas.

Seguem três vídeos feitos por atores para reflexão.

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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