Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade

Paris

Afora a atrocidade que é ter inocentes mortos aleatoriamente, os atentados de Paris terão péssimas consequências.


Paris from the French Railway suite Salvador Dali 1969.jpg "Paris" from the French Railway suite, Salvador Dali, 1969

Ações como essa potencializam a xenofobia e o preconceito para com imigrantes e refugiados que fogem exatamente dessa violência.

Mas não apenas isso, os atentados irão intensificar a famigerada guerra ao terror que mata e desaloja muitos inocentes.

Vão aumentar as guerras multillocalizadas e fortalecer ainda mais a poderosa indústria bélica tão nociva à paz mundial.

Toda e qualquer razão que os criminosos do ISIS reivindiquem para cometer tal absurdo terão seus efeitos agudizados e não sanados. Pois a postura neointervencionista da França da última década irá se ampliar exponencialmente, bem como a dos seus aliados EUA e Inglaterra.

O terror promovido pelo ocidente no Oriente Médio, na África, na Palestina e em muitos outros lugares não pode servir de justificativa para atos terroristas, mas é uma peça no jogo dos absurdos.

Grupos como Estado Islâmico para se consolidar foram armados, auxiliados pelo esfacelamentos de Estados como o do Iraque, da Líbia e da Síria que viviam ditaduras sim, mas tinham controle de território e fontes de receitas. A Arábia Saudita vive uma ditadura pior que as citadas e nem por isso se cogita intervenção para "levar a democracia" à eles.

Alguém oferece armas, alguém possibilita o fortalecimento político, alguém compra petróleo (notável fonte de renda do ISIS), alguém alimenta as redes de informação, tecnologia e mídia. Quem? Com o Talibã e a Al qaeda ocorreu o mesmo.

Tristes tempos de retrocesso, voltamos ao início do século (11/09), todavia, vendo os terroristas ainda mais poderosos. Em função de complexas disputas geopolíticas que resultaram em uma organização fanática (ISIS) que quer voltar para antes da idade média com seu califado, vivemos essa afronta a humanidade.

Deus é apenas um laranja que oferece o discurso para a ação, as questões fundamentais são a econômica, a de território e a política, não nos enganamos.


Gregório Grisa

Doutor em Educação pela UFRGS e simpatiza com a ideia de que aquilo que muitos chamam inteligência pode ser, em grande medida, curiosidade.
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