aura mediocritas

Pega um café, sente-se e vamos conversar sobre as efemeridades (ou não) da vida...

Nayara Anhanha

Dizer quem sou é tão efêmero quanto falar sobre o tempo; sabemos que uma hora ou outra o sol vai voltar, mas nunca vamos saber quando a chuva vai cessar. Sou as minhas ideologias, meus anseios, no entanto eles mudam, são lapidados. A ignorância é achar que a razão é sempre a sua, imutável. Eu sou assim, uma metamorfose ambulante.

Aonde foi parar a tal da empatia?

Como será que nos comportamos? Será que não deveríamos repensar sobre o nosso papel e importância na vida dos que nos cercam? Somos a soma das nossas atitudes, não conosco, com os outros. Nossas ações têm um espaço indireto, porém de suma importância para a vida do próximo. Não nos damos conta, mas aquela indiferença com alguém que te cerca pode ser mais prejudicial do que a sua consciência mede.


Koren Shadmi Renders Technologically Critical Illustrations 1.jpegIlustração crítica por Koren Shadmi

Já notou que a nossa capacidade de nos comover com a situação alheia está se desvanecendo? São inúmeras as situações. Você irá logo argumentar sobre opiniões de facebook, em rodas de bar ou como estamos antenados com os atentados, acontecimentos ao redor do mundo. Claro que estamos, mas, por curiosidade, será que nos comove? Nos gera a tal da empatia com o próximo? A conversa sobre algo que aconteceu ao nosso redor seria, mais ou menos, assim:

— Cara, tu viu o que rolou? Que loucura, hein?

— Ah, vou te dizer que bem que mereceram, quem mandou provocar, não é? Fica na tua que não dá merda.

— Acho que foi errado o que fizeram, não importa o quão grave a situação… Revidar assim é ridículo, mas o que eu posso fazer? Nada. Já te contei da (insira algum nome aqui)?

Você não compreende, você julga. Aponta o dedo sem tentar entender o que pode ter causado aquela atitude, o que encadeou aquela situação de forma que não coloque o ser humano como vilão da historia sempre. Aquele velho dicotomismo, o lado errado e o lado certo. Todos nós nutrimos sentimentos com suas razões e tentar compreender nos torna mais humanos, menos automatizados e frios. 

 O pior é que não nos damos conta do quão cruel a nossa discordância com dor do próximo pode ser. Achamos que exageram quando reclamam de estresse, de um dia cansativo em que acabou dando errado. Não concordamos com a dor de uma mulher que sofreu um relacionamento abusivo e, muito menos, quando um homem reclama de sofrer emocionalmente. Tudo o que é fora da nossa problemática se torna irrelevante. Dando o ombro para o próximo nos tornamos cruéis e, ora não damos conta, ora sabemos e não estamos nem aí.

Koren Shadmi Renders Technologically Critical Illustrations 2.jpegIlustração crítica por Koren Shadmi

Somos rodeados por uma série de nãos e o que esperamos do nosso convívio social próximo? Compreensão. Um tapa nas costas, uma revirada de olhos e não precisamos perguntar para saber que o que se passa na cabeça daquela pessoa é “Que drama, meu deus! A MINHA situação é muito pior” e quando não ouvimos isso. Psicólogos estão aí, muitas vezes, para suprir as incompreensões das pessoas que nos cercam. Alguma vez você já não se calou com insegurança quanto a represália do ouvinte? A namorada? Amigos? Provavelmente guardou pra si e, em muitos casos, inferiorizou seu próprio sentimento como se fosse algo medíocre. 

 Não sabemos ouvir a nós mesmo. Precisamos de um ouvinte, uma opinião. Ficar em silêncio, ouvir nossos pensamentos e nos auto-julgarmos pode ser doloroso e perdemos também essa habilidade porque estamos sempre necessitando de alguém para fazer isso. Criamos uma tendência em evitar confrontamentos com nossos erros, fugimos de nos julgar por medo de nossas próprias criticas. O problema é que queremos ser ouvidos, precisamos disso, mas não nos sentimos obrigados a ouvir os outros. Especialmente as pessoas que se mantém muito em grupo sociais e não se sentem confortáveis em estar sozinhos, esses são alvos em cheio desta problemática, precisa ser ouvido, mas na hora de ouvir… Aliás, nunca se engane, achar que esta sendo uma ótima pessoa parado em frente a alguém o escutando enquanto mentalmente pensa naquela música bacana que tocou na festa é o mais puro ato de hipocrisia e enganação a si próprio. Você não está ali, você não quer estar ali, você mal tem empatia sobre aquela pessoa e o que ela esta te contando; melhor, o que exatamente ela esta te contando?

 Quer um exemplo prático? Muitas das pessoas que estão lendo nesse exato momento devem estar pensando “Quando drama! Que exagero! Eu tenho mais o que fazer do que ficar pensando no problema dos outros”. Ou seja, somos uma sociedade que se mantém cada vez mais coletiva e menos cúmplice. É como se o fato de estarmos muito perto de alguém fisicamente fosse proporcionalmente ao contrário quando nos referimos a emocionalmente. Não é contraditório?

 Se todos nós tivéssemos sequer compreensão disso e o quão importante a empatia é para um todo, muitos problemas seriam evitados. Achamos que para evitar catástrofes é preciso exagero. Exagero de dinheiro, influência, conhecimento, força, tudo em excesso. No entanto, a verdade é que um simples gesto de empatia e compreensão com o próximo, um “deixa de drama” não dito ou alguma expressão de indiferença não desenvolvida em nós pode ser essencial para que pequenos desencadeamentos emocionais em uma pessoa não se tornem situações catastróficas. Vamos nos podando, controlando nossos sentimentos; fermentando toda aquela incompreensão do nosso ambiente e uma hora esse emocional sempre se transformará em alguma atitude e que, racionalmente analisando, não será da forma mais pacifica.

Koren Shadmi Renders Technologically Critical Illustrations 3.jpegIlustração crítica por Koren Shadmi

Como será que nos comportamos? Será que não deveríamos repensar sobre o nosso papel e importância na vida dos que nos cercam? Mantemos nossa aparência de pessoas externamente felizes tentando nos tornar realizadas. No entanto o quanto você já parou a sua caminhada para olhar ao seu redor e pensar nas pessoas que estão lá seguindo o caminho com você? Sempre que caímos esperamos que uma mão nos ajude a levantar, nos resta saber quantas vezes nós estivemos nessa situação inversa. Reflita sobre a sua relação com quem te cerca e tenha consciência da real importância de que ele tem em sua vida. Pense nisso.


Nayara Anhanha

Dizer quem sou é tão efêmero quanto falar sobre o tempo; sabemos que uma hora ou outra o sol vai voltar, mas nunca vamos saber quando a chuva vai cessar. Sou as minhas ideologias, meus anseios, no entanto eles mudam, são lapidados. A ignorância é achar que a razão é sempre a sua, imutável. Eu sou assim, uma metamorfose ambulante..
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