Midori Hamada

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A cadeira Monobloco

A cadeira mais conhecida, vendida e odiada do mundo esconde nas curvas de plástico branco um processo e uma história que vão além das lucubrações artísticas e que alcançou o posto de objeto de design mais bem sucedido.


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Pra onde quer que se olhe ou vá, ela está sempre lá, nas filas, igrejas, escolas, parques, nos churrascos de família, e até mesmo empilhada pelos cantos esperando pelas próximas reuniões; essa presença tão comum sempre desvalorizando a decoração aos nossos olhos, graças a nossa capacidade de interpreta-la como mobiliário tão habitual e sem requinte, se tornou uma referencia para a diferenciação inconsciente dos ambientes.

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Para aqueles nascidos nos anos 90, essa cadeira faz parte de um inconsciente cenário cotidiano do qual não se é capaz de reconhecê-la como algo além “daquela cadeira de plástico”. A existência da Monobloco não impressiona, e nem chama atenção ( fora naqueles momentos desagradáveis quando uma delas escorrega incrivelmente as quatro pernas em sentidos ortogonais com você em cima) mantendo-a no silencioso anonimato do processo criativo do design. E não, a Monobloco não existe desde sempre.

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A primeira cadeira feita inteiramente de plástico surgiu em 1965, foi desenvolvida pelo designer italiano Joe Colombo e constituía de cinco peças fabricadas separadamente , o assento/encosto e as quatro pernas. Foi só em 1967 que a primeira cadeira produzida em um único e inteiriço pedaço de plástico (fibra de vidro – poliéster reforçado) foi inventada por outro designer também italiano, Vico Magistretti que a batizou de Selene.

Selene,by Vico Magistretti Selene,by Vico Magistretti

Ao mesmo tempo, o designer dinamarquês Verner Panton revelava sua própria cadeira monobloco, criando a base com uma única sustentação, que só poderia ser produzida nos anos 70 graças à tecnologia de injeção do plástico em estado liquido dentro de um molde.

Panton-chair-fibreglass-red-(2)_web.jpg Panton Chair,by Verner Panton

Dá-se o crédito de sua produção em massa ao grupo francês Allibert ou ao americano Grossfillex, que nos anos 80 debutou as primeiras monoblocos como as conhecemos hoje. No seu inicio, uma única cadeira poderia custar pouco mais de 60 dólares, o que hoje se transformou em míseros três dólares. A cada 70 segundos, na Rússia, Taiwan, Austrália, México, Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Marrocos, Turquia, Israel, China e muitos outros países, uma nova Monobloco sai do molde em que foi injetado o polipropileno a 220°C.

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Milhões e milhões de cadeiras de plástico brancas ocupam seu espaço, estejam elas em usou ou não, e mais milhares estão saindo a cada hora. Pode-se estimar até, que existam mais cadeiras do que pessoas no mundo.

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Graças à Monobloco, grandes públicos foram capazes de serem acomodados com rapidez, permitindo um esquema extremamente fácil de estruturação do espaço, de reorganização dos assentos e de armazenamento das cadeiras, em áreas muito menores do que aquelas que elas ocuparam tão servilmente.

Sam-Durant_Porcelain-chairs1.jpegMonobloc porcelain chair,by Sam Durant

Justamente por ser, a Monobloco, um objeto tão rotineiro, alguns artistas e aficionados por design se dedicam a estudá-la e usar dessa costumaz presença em seus projetos. No site Flickr, um grupo de mais de 300 pessoa contribui com fotos para uma galeria integralmente dedicada a essa cadeira(Those White Plastic Chairs), e em 2010 o livro 220 °C Virus Monobloc foi lançado contendo um acompanhamento completo do progresso e desenvolvimento do nosso querido assento de plástico.


Midori Hamada

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