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crítica sem pedantismo

Erick Silva

Estudante de jornalismo, quadrinista, reprovado em testes psicotécnicos e atualmente dorme em uma garagem. Praticamente isso.

Dos botões para o fogo cruzado

A guerra dos Botões poderia ser só mais um filme de entretenimento se não viesse acompanhado de uma carga de analogias à cruel guerra dos adultos


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No ano de 1960 em uma pequena comunidade no sul da França, há duas escolas rivais: os Longevernes e os Velrans. Os grupos se digladiam a pelo menos 20 anos e sempre que um líder tem que ir embora, ele é substituído por um membro mais novo para continuar o legado do anterior. A história é focada em Lebrac (atual líder dos Longevernes), um jovem de 12 anos que se divide entre pequenos bicos e as atividades escolares para ajudar no sustento da casa com duas irmãs pequenas e uma mãe viúva.

A guerra entre os grupos acontece diariamente nos campos de cevada da cidade, à base de paus, pedras e lama. Quando um membro do grupo inimigo é capturado, os botões das suas roupas são arrancados como sinal de vitória. Nesta época os botões eram muito caros, logo, significava bronca dos pais se chegassem em casa sem um deles nas roupas.

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O diferencial desta produção de Yann Samuel da versão original de 1962 e adaptada do romance de Louis Pergaud, é a inclusão de uma garota no grupo. Como a história original se passa em 1913 às vésperas da primeira guerra mundial, esta versão da história é contada nos anos 60 e neste período as mulheres já começavam a reivindicar seus direitos na sociedade.

Mesmo com a história se passando nos anos 60 pós-primeira e segunda guerra mundial, a narrativa contextualiza uma guerra civil ocorrida entre os anos de 1954 até meados de 1962 entre dois partidos revolucionários onde era disputada a independência da Argélia. Guerra 3.jpg

Em um determinado momento da história , um antigo líder dos Longevernes retorna da guerra após seu pelotão ter sofrido um bombardeio, e já nesta altura da vida, lutava ao lado de um Velran e não mais existia a rivalidade de infância, mas o companheirismo de guerra, fazendo Lebrac repensar a sua vida e do quão cruel uma guerra longe dos campos de cevada pode ser.

Em suma, A Guerra dos Botões (2011) consegue nos trazer a sutileza da infância camponesa: Simples, distante da tecnologia, e nos faz refletir que em momentos de conflitos as rivalidades devem ser deixadas de lado.

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Trailer oficial:


Erick Silva

Estudante de jornalismo, quadrinista, reprovado em testes psicotécnicos e atualmente dorme em uma garagem. Praticamente isso..
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