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cultura sem moderação

Renato Bakanovas

realista trágico

Winter on Fire e a repressão estatal

O documentário demonstra a bravura e o idealismo do povo ucraniano que rejeitava a aproximação do presidente com a Rússia, em desfavor da integração com a União Europeia. O ritmo segue em meio ao fogo queimando, bombas de gás lacrimogênio, pedras e balas.


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Com direção de Evgeny Afineevsky e distribuição mundial pelo Netfilx, "Winter On Fire: Ukraine's Fight for Freedom" apresenta filmagens da população ucraniana resistindo a violência provocada pela polícia, a mando do presidente Viktor Yanukovych, durante o inverno de 2013-2014.

O modo operante das forças de contenção policiais, aparentemente, são bastante similares a outras do mundo, baseadas no não dialogo e na repressão. Mais equipadas que a população, agridem incessantemente inocentes, que não veem outra alternativa a não ser resistir no início, e progressivamente desenvolver sistemas de defesas baseados no comunitarismo. Afineevsky desenvolve a ideia que a população civil, independente de ideologia, etnia e religião se uniu com o propósito de simplesmente resistir ao autoritarismo.

Sem o objetivo de fazer uma análise conjuntural, o diretor prefere estabelecer a premissa que o presidente Yanukovych é a figura política desprezível do contexto, o transformando em um certo vilão. A partir disso demonstra os 93 dias desde o início dos protestos, inicialmente gerados por estudantes que foram duramente reprimidos pela Berkut, espécie de unidade policial de choque, até os conflitos armados violentos pelo controle da praça Maidan e imediações que levaram a renúncia do presidente, e convocação de novas eleições.

Tendo em mente que documentário propõe mostrar o sentimento dos manifestantes no decorrer dos acontecimentos, evidenciando como toda a situação foi se tornando cada vez mais tensa, Afineevsky faz um bom trabalho. O diretor foi o mais próximo possível da ação, e realmente faz o espectador sentir o temor de estar em meio a selvageria e violência. O estilo documental proposto não é de apresentar os lados da disputa de poder, mas antes marcar qual era o sentimento da população ucraniana, disposta a se sacrificar em nome de um ideal político.

Evidente que justamente por isso, ficou de fora a questão maior da análise da geopolítica do conflito. Não foi o propósito do diretor debater qual a motivação, pró Russia e pró UE, e nem apresentar os diferentes espectros políticos presentes nas manifestações do país. O fato é que após esses 3 meses, o país entrou em conflito com separatistas russos, principalmente no leste, o que ocasionou a anexação da Crimeia por Vladimir Putin. A situação atualmente está longe de ser resolvida. O documentário serve como um registro do sentimento dos presentes, e nesse aspecto é bem realizado.


Renato Bakanovas

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