barco a remo

E um astigmata em mar de letras pequenas.

Giliard Barbosa

Letras, sonhos e um processo infinitamente inacabado de autoconstrução

Discutindo a História da Literatura Brasileira (I): O projeto


Olá, caros leitores!

Depois de um bom tempo sem publicar - e sentindo a necessidade de me impor, também, a escrita como tarefa - decidi criar uma série de artigos refletindo sobre a História da Literatura Brasileira - embora eu atue mais com autores estrangeiros, a História da Literatura compõe parte fundamental da minha formação na área de Letras. Nesse sentido, virei a esse espaço, ao menos uma vez por mês, para que possamos discutir os processos de formação de diferentes compêndios de história literária, a fim de desenvolver uma perspectiva mais ampla a esse respeito. O que acham? Topam o desafio??

Abaixo, segue a descrição da apresentação do projeto, por ora sem título, cujas obras ainda estão em aberto (aceito sugestões!): CartaPeroVaz.jpg Discutida pela crítica nacional sobretudo a partir da Independência, a literatura produzida no Brasil viu, no estudo da própria formação, a possibilidade de legitimar suas manifestações enquanto originais e autônomas com relação à antiga matriz portuguesa. Tal esforço, como comprovam Zilberman & Moreira (1998, p. 9), transcendia a busca por uma identidade literária, já que “declarar a diferenciação [da nossa literatura] em relação à produção poética da ex-metrópole foi a fórmula encontrada pelos intelectuais do país para contribuir com a tarefa de consolidação política da nação”. Assim, pautados pelo ideal romântico da nação, distintos estudiosos, durante o século XIX, teceram ensaios acerca do corpus literário que se ia formando nas terras brasileiras. Entretanto, a produção poética da ex-colônia passou a ser analisada, em conjunto e de maneira sistematizada, somente a partir de 1888, com a publicação da História da literatura brasileira, de Silvio Romero. Dialogando com Romero – cuja obra crítica abordava a literatura através de um conceito amplo, que a tomava como sinônimo de cultura e se voltava para os aspectos contextuais da criação literária, ou seja, para os seus elementos histórico-sociais –, José Veríssimo publicou, em 1916, a sua história literária. Esta, homônima à anterior, restringia o conceito de literatura, voltando-se mais para critérios estético-formais das obras que para a adequação dos autores a grupos condicionados pelo seu tempo histórico. Assim, estabeleceram-se duas vertentes teóricas na escrita das histórias literárias brasileiras: uma mais atenta à literatura enquanto produto cultural, moldada por seu contexto histórico-social; e outra que, compreendendo a primeira, sentiu a necessidade de restringir o corpus de trabalho e analisá-lo pelo que lhe era “intrínseco”, ou seja, pela palavra em suas articulações. Para Veríssimo, os fatores externos à obra eram úteis como complemento à análise intratextual, mas não podiam substituí-la. Nesse sentido, diferentes historiadores voltaram seus olhares para o fenômeno literário no Brasil, embasados pelas perspectivas de Romero ou Veríssimo, e tomando por filiação uma obra ou outra. Assim, iniciou-se uma tradição nas histórias da literatura brasileira.

Na nosso próximo encontro, começaremos com a poesia sob o olhar do poeta: Apresentação da poesia brasileira, de Manuel Bandeira.

Abraço, e até a próxima.


Giliard Barbosa

Letras, sonhos e um processo infinitamente inacabado de autoconstrução.
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