Maria Gabriela de Queiroz

Quase entendedora de gente, de planta, de arte, de mapas e de lugares

Luz e criação: alguns passos da oitava arte (1)

Fotografar é capturar o que se vê através dos olhos, é atravessar um espelho, é ver através de uma parede invisível. Segundo Cartier-Bresson, é colocar na mesma linha, cabeça, olho e coração.


Com jogos de luzes, sombras e cores, artistas criam e recriam ambientes. Como diria Ansel Adams, a fotografia é feita não somente com uma câmera, mas também com livros que lemos, filmes que vimos, músicas que ouvimos e pessoas que amamos. A fotografia é única, uma vez que tem capacidade e genialidade de congelar uma ação, e mesmo dessa forma, impactar, dramatizar, sensibilizar, passar a sensação de ação e movimento. Quando nos deparamos com uma fotografia que nos choca, que nos intriga, que nos faz sentir, pensamos: como seria estar lá, naquele momento, presenciando e experienciando isso que estou vendo através de um papel? O fotógrafo faz o papel de brincar e desenhar com luzes e sombras, fluidas e evanescentes, mas além de tudo, conectar experiências, ideias, críticas e sentimentos entre o instante fotografado e o "fotoespectador".

A primeira fotografia conhecida, diz respeito à imagem produzida por Joseph Nicéphore Nièpce em 1825. O francês produziu-a com uma câmera ao longo de oito horas de exposição solar. Nièpce denominou esse processo de "heliografia", gravura com a luz do Sol. Na mesma época, Daguerre transformava com uma câmera escura, efeitos visuais em um espetáculo chamado "Diorama".

William Fox Talbot, também no mesmo período, criou o "Calotipo", utilizando folhas de papel cobertas com cloreto de prata, processo muito parecido com o de hoje, uma vez que produz um negativo que pode ser usado novamente para produzir imagens positivas. Hippolyte Bayard também criou um método de fotografia, chamado daguerreotipo, o qual se tornou mais popular, pois atendeu à demanda de retratos da classe média no decorrer na Revolução Industrial.

Enfim, a fotografia popularizou-se a partir do ano de 1888 quando a empresa Kodak abriu suas portas com o discurso de que todos poderiam tirar suas fotos, introduzindo a câmera tipo "caixão" (Brownie-Kodak) e filmes de rolos substituíveis. A fotografia tornou-se um mercado de massa em 1901 com a criação dessa nova câmera e, em especial, com a industrialização da produção e revelação de filmes. O filme colorido tornou-se padrão, o foco e a exposição foram configurados como automáticos.

A grande mudança na história da fotografia ocorreu no fim do século XX, com a digitalização de sistemas fotográficos. A fotografia digital, propiciou a diminuição de custos, reduzindo etapas, acelerando processos e facilitando a produção, manipulação e transmissão das imagens por todo o mundo.

Nesse contexto, a partir do século XIX alguns e algumas grandes artistas se destacaram no processo criativo fotográfico. Apresentarei aqui, alguns artistas que tiveram reconhecimento e marcaram de alguma forma a história da fotografia:

1) Man Ray: Expoente do Dadá e Surrealismo, o americano se dedicou ao mundo da fotografia e pintura, utilizando métodos que lembram colagens cubistas. Nas palavras de Ray: "Eu não fotografo a natureza, eu fotografo as minhas fantasias."

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2) Eugène Atget: também ancestral do Surrealismo, Atget é caracterizado pela sua objetividade, elegendo algo mundano como mágico.

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3) Cartier-Bresson: Bresson busca captar o instante das emoções ou momentos intensos.

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4) Alfred Stieglitz: se focou na fotografia direta e sem retoques. Nas palavras do fotógrafo: "O objetivo da arte é a expressão vital de si mesmo."

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5) Edward Weston: começou fazendo fotos românticas das estrelas de Hollywood, depois se dedicou à nus, dunas de areias e legumes.

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6) Dorothea Lange: no período da pós-depressão de 29, fotografou a miséria e pobreza.

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Não pretendo finalizar aqui a discussão sobre momentos importantes da fotografia e artistas que marcaram a oitava. Em um segundo momento, pretendo trazer um pouco mais sobre a filosofia da fotografia, acompanhada de mais fotógrafos e fotógrafas que ajudaram a construir essa história.


Maria Gabriela de Queiroz

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