Valéria Scavone

Paulistana e albatroz por consequência. Minha paixão é por 'algos': o improvável, a essência, a unidade, a troca, o diálogo, o existencialismo e a arte, que, sentida e, não necessariamente entendida, transpõe cada um destes algos. Um ser que não está na vida à passeio.

As árvores que sobreviveram ao ataque atômico de Hiroshima

Após o bombardeio atômico de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, a paisagem foi demolida e os solos queimados com a radiação excessiva. O Dr. Harold Jacobsen, cientista do Projeto Manhattan, disse ao Washington Post que Hiroshima teria uma vida estéril e que nos próximos 75 anos nada iria crescer naquela cidade. Mas a natureza foi muito além destas previsões.


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Na primavera seguinte, para surpresa de todos, uma nova vida: dos escombros surgiu uma série de novos brotos. As novas mudas passaram uma mensagem poderosa aos sobreviventes da bomba atômica e deu-lhes a esperança de reconstruir a cidade e uma nova vida.

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Hoje, mais de seis décadas depois do ataque atômico, Hiroshima é uma cidade de verde vibrante e moderna. Muitas das árvores que foram plantadas na cidade pós guerra foram presentes doados pelo Japão e por estrangeiros.

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No entanto, a natureza mostrou sua fortaleza e passou por cima do estrago violento feito pela raça humana e hoje, centenas de árvores que estão em pé são vizinhas do raio onde a bomba explodiu. Mesmo com o solo envenenado e carborizado.

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Após a guerra, árvores foram preservadas em 55 localidades em um raio de dois quilômetros do hipocentro. Hoje, são oficialmente registradas como árvores que foram bombardeadas chamadas de Hibaku Jumoku, que significa Árvores Sobreviventes e são identificadas com uma placa. De acordo com a cidade de Hiroshima, há cerca de 170 árvores sobreviventes representado 32 espécies distintas.

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A árvore mais próxima do hipocentro é um Chorão e fica há 370 metros da explosão. Embora a árvore original tenha sido derrubada por uma bomba, suas raízes sobreviveram e novos brotos foram germinados.

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As árvores estão localizadas em lugares públicos, templos e santuários e estão sob o cuidado do governo de Hiroshima. Sementes e mudas de árvores bombardeadas são constantemente compartilhadas pelos cidadãos da cidade com pessoas do Japão e do exterior. E estas novas árvores estão crescendo em lugares do mundo todo.

Para ver uma lista parcial das espécies sobreviventes, clique aqui.

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Aqui, um espaço para agregar informações feitas pelos leitores do Blah Cognitivo.

> Julio Pieczarka nos contou que várias árvores foram transplantadas para a Cúpula da Bomba Atômica. No dia da explosão, esta cúpula, que estava localizada há 150 metros do hipocentro, foi a estrutura mais próxima a resistir ao impacto.

A Cúpula Genbaku deveria ter sido demolida com o restante das ruínas, mas o fato de ter ficado praticamente intacta adiou os planos. Enquanto a cidade era reconstruída em torno do domo, sua permanência tornou-se motivo de controvérsia; alguns moradores queriam sua destruição, enquanto outros preferiam que a estrutura fosse preservada como um memorial do bombardeio.

Em 1966, Hiroshima declarou a intenção de preservar a aCúpula da Bomba Atómica de forma definitiva. Trinta anos depois, em dezembro de 1996, a construção foi registrada como Patrimônio Mundial da UNESCO, baseado na Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Cultural e Natural. A China apresentou objeções quanto à confirmação do memorial como Patrimônio Mundial, e o delegado dos Estados Unidos no Comitê da UNESCO decidiu abster-se da decisão.

A China citou a possibilidade do monumento ser usado para minimizar a importância do fato de que os países vítimas do Japão durante a Segunda Guerra Mundial sofreram perdas muito maiores em número de mortos, enquanto os Estados Unidos declararam que instituir ali um memorial para um "local de guerra" seria omitir o contexto histórico necessário.

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Valéria Scavone

Paulistana e albatroz por consequência. Minha paixão é por 'algos': o improvável, a essência, a unidade, a troca, o diálogo, o existencialismo e a arte, que, sentida e, não necessariamente entendida, transpõe cada um destes algos. Um ser que não está na vida à passeio..
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