
Acordei. Lá estava ele, prostrado entre minhas pernas, com dois dedos
na minha vagina.
Velho, resmunguei.
- Você não acha isso lindo? Dois dedos na ausência do pau. – Disse
ele evasivo.
Não me explicou, e nem quis mais entender, tudo rodava, lembrei das
garrafas de gim, presente do meu pai, gim. Com gelo, melhor.
Levantei, levantou, sem preocupação não lavou as mãos, acendeu um
cigarro, foi até o parapeito da janela, virou-se, mandou eu soltar o
cabelo e ver que horas eram. 14:42. Disse que tinha que ir, buscar a
máquina de escrever no conserto.
Perguntei onde estava minha bicicleta, no andar de baixo, respondeu,
enquanto saltava para a rua através da minha janela, do oitavo andar.
É preciso imaginar Sísifo feliz, disse eu em voz alta lembrando de
Camus.
Comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor deste site sobre as matérias em questão.
Deixe o seu comentário
O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.