borboleta carnívora

Quando o inesperado surpreende

Kauana Maria Neves

20 anos, canhota, discente de Antropologia.

Alex e Freud

Até que ponto somos livres ou detemos a nossa liberdade? A sociedade nos condiciona e nos faz refém da nossa própria cultura pelo simples instinto de sobrevivência em sociedade? É a partir desses questionamentos que inicio a reflexão sobre a liberdade e condicionamentos sociais


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Segundo Freud, o que distingue o homens dos outros animais, é o poder de modificação da natureza pelo homem, chamando isso de civilização, tudo que é construído pelo homem nessa mudança. Pode-se entender a civilização de Freud como a nossa cultura, e que para a manutenção da cultura e da nossa sobrevivência, o homem criou instituições que nos impediriam de acabar com a nossa civilização. Ainda para Freud, o homem em sua natureza é mal, ou é dotado de instintos que se caracterizam pelo impulso e o prazer, e são essas características, que o homem ao se civilizar passou a controlar para poder viver em sociedade. No filme, Laranja Mecânica, o personagem principal, Alex, em um futuro distante, vive em uma época em que a sociedade se torna extremamente violenta e ele não foge da regra. Pode-se pensar essa sociedade que se passa o filme, em um mundo caracterizado pelos impulsos, pois no filme, o personagem não se condiciona em não caracterizar seus atos violentos, como estupro e violência física, chegando até mesmo a matar. Para Freud, as instituições que o homem criou ao se civilizar, foi o patriarcado e com ele o incesto como desvio de moral e a religião, dos quais são responsáveis em manter o homem em sociedade, pois são elas que criam e ditam a nossa moral, criando mecanismos que controlam o nosso ego. No filme, ao matar, Alex, vai preso; a violência nesse período está fora do controle, fazendo com que o estado não consiga mais controlar essa população; para que esse problema se revolva, ele cria um tratamento de cura, em que a pessoa recebe estímulos visuais e sonoros. Após ficar um tempo na cadeia, Alex é levado para o tratamento. Após o tratamento ele recebe alta e volta para a sociedade. Porém essa volta acontece de forma dramática; o objetivo do tratamento é adoçar o indivíduo, o tornando dócil, em que ele não reagiria mais em forma de violência. clockwork-orange-2.jpg

Passado um tempo perambulando pela cidade, Alex acaba parando na casa de uma vitima sua. Sua identidade é então revelada no filme. Alex, por conta do seu tratamento e pelas reações em que ele passou, com a sua própria vítima, chega a tentar o suicídio, se jogando da janela da casa. No hospital ao se recuperar, o nosso personagem volta ao seu normal e o tratamento se mostra ineficiente. Para Freud, o homem sempre busca a liberdade pelo prazer, porém ele é condicionado a não ter esse prazer, como os impulsos do nosso personagem; esse homem que é tanto condicionado, tanto pelo meio em que ele vive em sociedade e sua cultura, cria mecanismos que restringem a sua própria liberdade, pois, prazeres e atos por impulsos são banidos em nossa sociedade e mesmo que ele destrua a religião, que para Freud, é uma das maneiras, além da droga, para a felicidade, ele automaticamente irá criar outros mecanismos que permitam que o homem ainda possa viver em sociedade. No Filme Laranja Mecânica, o nosso personagem, ao se socializar, ele o faz pelo impulso e é banido, ficando a cargo do estado e da moral vigente o controlar. Porém ainda fica uma questão, se para Freud o homem não é livre totalmente, pois a todo momento, isso não é permitido a ele, no filme o nosso personagem, mesmo passando por um tratamento violento, no final do filme volta ao normal; o que me pergunto, será que não temos de maneira alguma a capacidade de não nos tornarmos o que essa sociedade, que para Freud, nos reprime a todo momento, será que somos sempre condicionados á não sermos livres?

Por Carlos Frederico Branco


Kauana Maria Neves

20 anos, canhota, discente de Antropologia..
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