cadê o futuro

Não tenha pressa, logo, logo chega.

Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo.

Amor Moderno II

“Não me peça um poema aqui e agora. Leva tempo e não é de graça, custa cada gota do meu tempo. E se escrevo é apenas por que gosto, então não se incomode tanto, fique mesmo no seu canto, não me pela o saco. Se eu gostasse mesmo de você garota, não lhe escreveria verso algum, partiria logo para os beijos e faria poemas por entre as tuas coxas”.


amor moderno 1.jpg Disse isso e ela saiu correndo, como se fosse algo de outro mundo. Não bastasse o pedido inoportuno a infeliz espalhou pelos quatro cantos que eu era um cretino e que só escrevia poemas para putas.

No ano passado escrevi sobre este assunto e o resumo do artigo era o seguinte: O amor e suas expressões, sua atualização constante. Muito tempo se passou e com ele também passaram algumas concepções de amor – outras não mudam nunca, por mais que se queira que mudem.

O negócio é que poemas já foram bastante úteis, hoje não valem nada: quem ouve um poema de amor não se apaixona, mas pensa que quem leu é um completo retardado, quer dizer, apaixonado.

Conversando com uma viajante deste universo, uma filósofa anônima, cresci enquanto pessoa e virei mais bicho. Ela me disse simplesmente “desapega” e eu dei ouvidos. Estávamos todos juntos em um congresso de filosofia, aprendendo coisas que não se aprende sem antes tomar uma boa dose de amor. Amor ao mundo! Isso sim é desapego.

Amor moderno? É aquela velha máxima do mudar para continuar o mesmo, para evitar que acabe. Muda-se a pessoa amada, a coisa amada, o modo de amar, mas amor é amor em qualquer tempo, lugar, espaço, dimensão... Faz-me um poema de amor aqui e agora, mostre que você me ama. Por que ninguém pede poemas quando já estamos na cama? Querem sempre o amor em adiantamento, mas ninguém quer saber quando chega a conta.

Mas não pensem que sou realmente um cretino. O amor moderno é atual e verdadeiro, ele muda e continua o mesmo, independente de poemas ou cartas de amor, de telefonemas. A diferença é que custa caro dizer que se ama, como também custa caro escrever poemas, na maioria das vezes o autor é quem mais sofre e quem menos ganha. Por isso de não escrever a torto e a direito, de não fingir interesse, de desapegar. Dica valiosa de uma grande filósofa, que de tão simples não tem nome, nem fama: não ame!

Se quer ver algumas imagens interessantes sobre o assunto visite o site Amor Moderno, uma tirinha experimental semanal.


Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo..
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