cadê o futuro

Não tenha pressa, logo, logo chega.

Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo.

É mesmo tudo natural?

A superexposição do feminino, a legitimidade e a ausência de conteúdo nos projetos artísticos da atualidade.


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Já faz algum tempo que eu me questiono sobre a legitimidade da arte, os seus limites internos e os seus requisitos básicos. Acredito que existam algumas restrições, se não de ordem moral, pelo menos em razão do conteúdo e do efeito pretendido pelo projeto artístico.

Nos últimos dias tomei conhecimento de uma série de fotografias produzidas por Richard Kern, presentes no livro “Contact High”. É natural que muitos de vocês também tenham sido atingidos por elas, principalmente o público masculino.

Basicamente, o fotógrafo apresenta mulheres seminuas fumando maconha. Perceba, duas situações que, por si só, atraem grande atenção. É tudo natural? Sim, em uma análise rasteira não encontramos nenhuma falha na estrutura artística das imagens. Pelo contrário, um crítico pode até mesmo considerá-las dignas de louvor, uma vez que contrariam a moral e os dogmas tradicionais.

Mas um ponto me incomoda: a superexposição do corpo feminino. Qual o elemento principal das fotografias, a maconha, o corpo ou o conjunto? O crítico certamente fará uma relação, uma análise conjunta e, por fim, dirá que não é possível distinguir o elemento principal. Uma obra prima.

Peço que se dirijam à página do artista. O que você vê? Projetos fotográficos envolvendo um elemento comum (cabelo, celular, remédios) e, ironicamente, o corpo feminino, quase sempre seminu. Agora é menos provável que você consiga fazer uma relação entre os elementos sem parecer estúpido. Ou seja, no fim das contas, a maconha é mero acessório. O corpo da mulher, em sua crueza, é que faz com que as fotografias alcancem algum destaque.

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Acredito que a arte, seja como for, deve possuir objetivos e implicações no mundo. Deve atingir alguém além do próprio artista. Caso contrário, ficamos com a impressão de que não existe diferença alguma entre projetos artísticos, como o realizado por Richard Kern, e o discurso das grandes mídias. Projetos assim reforçam estereótipos, na medida em que são carentes de conteúdo e de propósitos.


Valter Geronimo Camilo Junior

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