cadê o futuro

Não tenha pressa, logo, logo chega.

Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo.

Sobre a saudade

No fim dos dias, ou da vida, tudo que nos resta é a saudade. 


Nietzsche, caricatura

De criança, soltar pipa, pega-pega, balão cheio de água. Menino e menina no mesmo balaio, sem sexo, sem roupas, sem dinheiro no bolso, sem inveja reprimida. Esconde-esconde — nunca contar até cinquenta, pular do dez para o quarenta. 

E ao final de cada dia, olhar para o velho Nietzsche e ver como é triste a vida que sempre nos atormenta, dando voltas infinitas. 

“E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: “Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma seqüência e ordem […]” Friedrich Nietzsche, Gaia Ciência, 341. 

Escrever o mesmo poema, procurando pela mesma rima. Amar a mesma menina, beijar os mesmos lábios vermelhos, trilhar o mesmo caminho. Coitados de nós, que sofremos o peso do destino.

Saudade nem sempre é passado. Olho para o alto e conto estrelas, imagino milhões de planetas. E de repente bate uma agonia no peito, como se faltasse um pedaço. Déjà vu ou mero pressentimento, a saudade vem de dentro, vem de longe. 

Nietzsche e seus demônios, nessas noites quentes, invadem o meu quarto e me azucrinam o sono.


Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo..
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