cadê o futuro

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Valter Geronimo Camilo Junior

Co-fundador e idealizador do Puta Letra. Graduando em Direito. Redator freelancer. Sempre incisivo.

É fácil ser artista? O mito sobre vender arte na praia

Esse artigo surgiu depois de um diálogo curto que tive com um comentador de internet — essa espécie de gente que sente tesão em dar pitaco. Curto porque não costumo gastar o meu tempo em discussões infrutíferas, muito menos quando o assunto é vencer na vida fazendo arte.


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As verdades que ninguém conta sobre ganhar a vida fazendo arte

Existe uma imagem de artista circulando por aí, caricato, nômade, hippie, despreocupado com o futuro, sujo, caroneiro, mendigo, às vezes até malandro.

Daí a noção equivocada de que viver de arte é coisa de vagabundo, quem não tem nada no mundo e vai morrer sem um tostão no bolso. Enterrados como indigentes.

“Vai trabalhar, vagabundo”, como se arte fosse uma categoria marginal, coisa de quem se perdeu ou no mínimo se acomodou. O negócio é ser doutor, empresário, cientista ou qualquer outra porcaria que exija diploma, disciplina e um currículo extenso. Ser artista é para quem não deu conta de encarar a vida de frente. Quem não gostou de ser adulto e resolveu ficar na infância.

Viver de arte é um delírio, um tiro no escuro, uma jornada sem futuro, um suicídio — desses que matam aos poucos. Essa é a imagem de artista que circula nos grandes centros urbanos.

E, para delimitar o espaço, tem até local marcado, onde essa gente se encontra. Zona boêmia. Muitos bares e bebida, cigarro, prostituição, homossexualidade. Todos os artistas, precários, indesejados, barulhentos, reunidos. Farra, festa, drogas etc.

Mas isso está errado! Ser artista não é nada fácil. Não é indigno, nem coisa de quem não tem responsabilidade. É escolha de vida, modo de ver o mundo, as pessoas e as relações intersubjetivas. A arte surge como produto dessa perspectiva múltipla, desse olhar-para-além-do-que-existe. Para além-de-todas-as-coisas.

Ser artista incomoda, pois a arte ataca com força, na garganta. A arte não tem partido, não defende a exploração do trabalho, nem pactua com atos que desrespeitem a dignidade humana.

O artista vive com pouco, mas não necessariamente por vontade. Todo mundo precisa de um troco para matar a fome, alimentar o espírito e pagar Netflix no final do mês. Mas quem disse que ser artista é fácil? Quem disse que o dinheiro entra em fluxo continuo? Que não é preciso pegar pesado, ralar dia e noite, ter mil ideias por minuto?

Existe uma imagem de artista circulando por aí. Imagem que releva o quanto estamos atrasados culturalmente.

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Valter Geronimo Camilo Junior

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