caetanese

coração pra cima escrito embaixo: frágil.

Nara Gonçalves

Já toquei blog com nome de música dos Los Hermanos, pergunto o signo para puxar assunto e feminismo pra mim não é palavrão. Gosto do bom e velho Charlie Brown, literatura latina e assisto filmes de terror numa boa. Com a luz acesa, claro.

“Gente nasce pra ser gente”: o documentário “Tarja branca” e a necessidade de brincar para existir

O quanto se aprende levando a vida de uma maneira um pouco menos ansiosa ou com pequenos exercícios para não levar tudo tão a sério?


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*Imagens retiradas do filme

Lápis, caderno, chiclete, pião. Sol, bicicleta, skate, calção.

Uma das músicas mais conhecidas do grupo Palavra Cantada, entoa que “Criança não trabalha, criança dá trabalho”. Diversos estudos (e a mais importante de todas, a observação do comportamento dos pequenos) comprovam a importância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil, tanto intelectual quanto interpessoal. E na corda bamba que é essa transição entre a infância e a vida adulta e sua corrida por sucesso na carreira e vida pessoal, vamos nos embrutecendo e acinzentando com as durezas do cotidiano. A tecnologia nos consome e distancia de nossa natureza que exige o contato humano, natural e necessário.

Como explana uma das pesquisadoras entrevistadas para compor o documentário “Tarja Branca”, “a gente nasceu pra ser gente”. Isso mesmo. Porque brincar é existir. É sentir-se vivo. Lançado em junho deste ano nos cinemas e com a mesma equipe que produziu o pontual “Muito Além do Peso”, o documentário investiga e instiga a importância da brincadeira, tanto para o uso lúdico na vida, quanto no âmbito social e de enfrentamento de crises e questionamentos humanos, todos esses processos que nos fazem crescer.

A fala de profissionais especializados na infância é costurada com as memórias e experiências de pessoas como Marcelino Freire, escritor pernambucano, que para escrever, também precisa manter acesa a liberdade de imaginar, descontruir e inventar histórias e personagens.

Para a coreógrafa Andrea Jabor, “brincar é urgente”, e cada vez mais necessário numa sociedade rodeada por tecnologia e certa deficiência imaginativa, onde as brincadeiras não precisam ser inventadas, pois já estão disponíveis em lojas. Como resultado das convenções sociais, certamente a maioria de nós escolheu não dar trabalho. E seguimos um monótono processo onde o tempo encurtou e as exigências da máquina do trabalho aumentaram, diminuindo nosso espaço e pensar lúdico. Perdemos nossos trava-línguas, ganhamos o receio de pintar objetos com cores diferentes das conhecidas e, principalmente, deixamos para trás nossa liberdade de existir dentro da nossa imaginação.

Afinal, a brincadeira não precisa estar ligada ao ambiente infantil, mas pode compartilhar de suas vivências, aprendizados e desprendimentos. O quanto se aprende levando a vida de uma maneira um pouco menos ansiosa ou com pequenos exercícios para não levar tudo tão a sério? Brincar é o remédio que falta para que nossas gavetas e caixas de primeiros socorros permaneçam quietas.

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O filme está disponível no youtube, através do canal da produtora Maria Farinha Filmes.


Nara Gonçalves

Já toquei blog com nome de música dos Los Hermanos, pergunto o signo para puxar assunto e feminismo pra mim não é palavrão. Gosto do bom e velho Charlie Brown, literatura latina e assisto filmes de terror numa boa. Com a luz acesa, claro..
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