café amargo

Açúcar ou adoçante?

Fernanda Pacheco

Tem 20 anos, é formada em história e aprecia certa miscelânea cultural

IMPRESSIONISMO - PARIS E A MODERNIDADE

Retalho do que está rolando na exposição "IMPRESSIONISMO - PARIS E A MODERNIDADE"


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A exposição do momento, pelo menos aqui em São Paulo, é a Impressionismo: Paris e a Modernidade e isso todo mundo sabe. Não é todo dia que a gente pode ver 85 obras diretamente do acervo do Museu d’Orsay com quadros de mestres como Renoir, Monet, Manet, Bazille e Degas! É eu sei que esse papo parece bobeira, mas pra quem tem interesse por Arte, ver o trabalho desses pintores é equivalente a um grande show de rock (a banda eu deixo por sua conta). O Centro Cultural Banco do Brasil ficou pequeno para tamanha exposição que está distribuída em todos os andares e é dividida a partir de temas opostos como “Paris é uma Festa!” e “A Vida Silenciosa”. No início você vê obras que não são tão conhecidas, mas que deram um empurrão para que o Impressionismo acontecesse, como o belíssimo quadro de Maximilien Luce “Le quai Saint-Michel et Notre-Dameen ”. O que mais chama atenção é a distribuição de cores e a forma como o pintor utilizou a luz. Nesse mesmo andar começam a aparecer as estrelas: Monet, Manet e as bailarinas de Degas! A experiência mais incrível que eu recomendo para quem fica frente a frente com os quadros impressionistas, é analisar de perto a distribuição das cores. Parece uma bagunça, cheia de manchas e linhas que você não sabe onde começam e nem onde terminam, mas quando você resolve dar um passo para trás, o fenômeno acontece: tudo aquilo se une numa coisa só!

ed.jpg Edgar Degas Danseuses montant un escalier, 1886/1890

Muitos consideram o Modernismo como o rompimento oficial entre a arte clássica tipicamente acadêmica e a arte contemporânea. Eu costumo colocar muita fé no fato de que os impressionistas foram os pioneiros nisso. Um exemplo é o quadro “Cena de Festa em Moulin Rouge” do pintor Giovanni Boldini, onde as pessoas são espontâneas, reais e até nos convence de que o pintor vivenciou aquilo como se fosse uma cena cotidiana. Não há alguém posando, nem corpos perfeitos, muito menos um retrato.

gio.jpg Giovanni Boldini Scène de fête au Moulin Rouge, 1889

Manet, no quadro “A Garçonete com Cervejas”, revoluciona desde o título da obra. Quem, em pleno século 19, imaginaria um ponto de vista TÃO realista e comum? É como se o espectador fosse convidado a participar da cena.

manet.jpg Edouard Manet La serveuse de bocks, 1878/1879

A grande noção de perspectiva dos impressionistas também fica evidente no quadro “A torre Eiffel” de Louis Hawkins. Um dos quadros que mais chama a atenção durante a visita.

lois.jpg Louis Hawkins La tour Eiffel, 1889

As coisas começam a ficar animadas com a figura marcante da belle époque francesa: o artista Toulouse-Lautrec. As obras passam a retratar a cultura efervescente da Paris do começo do século 20. Você consegue visualizar o quadro “A Mulher de Luvas” de Lautrec e “A Iluminação da Torre Effeil” de Georges Garen que retrata a inauguração dela na fase em que o barão Haussmann renovou a cidade.

tou.jpg Toulouse-Lautrec Mulher com Luvas, 1889

parri.jpg Georges Garen A Iluminação da Torre Effeil, 1889

A presença de Monet e Renoir é extremamente marcante em todos os andares. No decorrer da exposição outro nome fica frequente: Camille Pissarro. Seus quadros são famosos pelos pontilhados coloridos e sua característica mais marcante é a distribuição de pinceladas. De todos os impressionistas, ele era o que entrava com mais cores.

pisarro.jpg Camille Pissarro Jeune paysanne faisant du feu, 1888

O objetivo dos impressionistas era simples: mostrar a impressão deles em relação ao que lhes era apresentado. Sim, é óbvio! O movimento levou esse nome justamente porque Monet nomeou um de seus quadros de “Impressão Sol Nascente”.

maentee.jpg Claude Monet Impressão Sol Nascente, 1872

Nessa exposição a gente ainda tem a possibilidade de ver os clássicos do impressionismo como "O Lago das Ninfeias, Harmonia Verde" de Monet, “O Tocador de Pífaro” de Manet, “Ao Piano” de Renoir e “Nature morte à la soupière” de Cézanne. A exposição é quase infinita! Tem muita coisa para ver e se encantar.

monet.jpg Claude Monet O Lago das Ninfeias, Harmonia Verde, 1899

renoir.jpg Edouard Manet O Tocador de Pífaro, 1866

piao.jpg Auguste Renoir Ao Piano, 1893

vez.jpg Paul Cezanne Nature morte à la soupière, 1877

A minha única frustração, é que eles apresentam apenas um quadro do van Gogh, o “La Salle de Danse à Arles” no último piso da exposição junto com alguns outros quadros de Gauguin e Cézanne. Isso faz sentido, já que van Gogh é considerado neoimpressionista porque começou a pintar depois da inauguração do movimento e das exposições independentes da época. A minha dica é essa: não vá com muita expectativa se você, assim como eu, for fã de van Gogh.

van gogo.jpg Vincent van Gogh La Salle de Danse à Arles, 1888

Agora, se você não quiser enfrentar a fila de 2h para ver tudo isso ao vivo, ou quiser segurar a ansiedade e esperar mais um pouco, você tem que, NO MÍNIMO, dar uma passeada no site do Museu d’Orsay. Lá têm todas essas obras, além do vasto acervo que lá reside. http://www.musee-orsay.fr/fr/collections/bienvenue.html

Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay Onde: Centro Cultural Banco do Brasil Endereço: Rua Álvares Penteado, 112, Centro Quando: De 4 de agosto a 7 de outubro Horário: De terça-feira a domingo, das 10h às 22h Entrada: Gratuita Telefone: (11) 3113-3651 ou 3113-3652


Fernanda Pacheco

Tem 20 anos, é formada em história e aprecia certa miscelânea cultural.
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