café amargo

Açúcar ou adoçante?

Fernanda Pacheco

Tem 20 anos, é formada em história e aprecia certa miscelânea cultural

Oasis e a fragilidade por trás dos encrenqueiros irmãos Gallagher

A banda Oasis ficou famosa por gerar dois sentimentos no público: o de amor e o de ódio. Ou você idolatra a banda ou você detesta e a razão de tudo isso é a relação intensa dos irmãos Gallagher.


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A banda Oasis ficou famosa por gerar dois sentimentos no público: o de amor e o de ódio. Ou você idolatra a banda ou você detesta e a razão de tudo isso é a relação intensa dos irmãos Gallagher. Considerados por muitos como arrogantes, Noel Gallagher e Liam Gallagher podem se gabar, sim, e podem fazer isso com direito a nariz empinado e careta! Se isso incomoda ou não as pessoas, pouco importa.

Uma banda que quebrou o recorde de lotar Knebworth durante dois dias com público de 250 mil pessoas, com mais de 50 milhões de discos vendidos no lançamento do clássico “Wonderwall” e que colocou a Inglaterra no topo das paradas numa época em que o grunge reinava, certamente não é fraca. Mas como eu sou adepta daquela filosofia que diz que “quantidade não é qualidade”, vou mudar de assunto.

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Se eu fosse escrever uma “biografia factual” da banda, começaria dizendo que eles iniciaram a carreira em Manchester em 1991 com o nome “The Rain”, sem a participação de Noel Gallagher. Aliás, Oasis só virou Oasis porque o Noel viu a banda do irmão tocando e não achou muito boa. Conclusão: ele entrou com o propósito de alavanca-la, combinando suas composições com a presença de palco única do irmão caçula. Deu certo, não? Gravaram a primeira fita demo chamada Live Demonstration, conheceram o produtor Alan McGee, sócio da gravadora Creation Records, gravaram o disco Definitely Maybe no dia 30 de agosto de 1994 e BOOM! Estouraram e intensificaram o britpop, com direito a brigas com a banda Blur, comparações com os Beatles (que por sinal eles adoram até hoje) e frases polêmicas como "Espero que Damon e Alex (do Blur) peguem aids e morram" e "Não somos arrogantes, só acreditamos ser a melhor banda do mundo".

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Em seguida veio o (What’s the Story?) Morning Glory (1995) com os clássicos Wonderwall e Don’t Look Back in Anger, o que acabou criando uma grande expectativa nos fãs e como quase toda expectativa não foi correspondida nos álbuns Be Here Now (1997,) Standing on the Shoulder of Giants (2000) e Heathen Chemistry (2002).É interessante observar que a banda não chegou a ficar muito tempo longe dos estúdios e mesmo não vendendo 50 milhões de discos a cada lançamento, ela seguiu estourando com singles como Champagne Supernova, Stand By Me e Little By Little. Foi só em 2005 com o álbum Don’t Believe the Truth que vinha com a dançante Lyla que a banda retornou de vez ao topo, seguido de Dig Out Your Soul em 2008 que fechou temporariamente o espetáculo criado pelas composições de Noel somadas à explosão de Liam no palco, que o levou inclusive a ganhar o prêmio de melhor vocalista do ano recentemente, até porque eu acho difícil ficar o show inteiro naquela posição que ele sempre fica, provocando o povo e mesmo assim conseguir agitar milhões de pessoas carregando as músicas só na voz (vale lembrar que essa premiação foi feita apenas na Inglaterra!). Apesar do Oasis ter passado por várias mudanças internas, isso é quase imperceptível (vamos ser sinceros) porque os irmãos sempre estiveram a frente de tudo. Entre os integrantes já passaram Alan White, Paul McGuigan , Paul Arthurs (o Bonehead), Tony McCarroll e Zak Starkey – filho do beatle Ringo Starr. A última formação vinha com Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock.

Essa arrogância ai que leva muita gente a xingar os irmãos e a jogar pedra se deve por um motivo só: os irmãos passaram a infância apanhando de um pai que era bêbado e que batia inclusive na dona Peggy Gallagher, mãe dos rapazes e de mais um menino. Cresceram cercados de violência e a única distração deles era a música, por isso que para os fãs da banda, essas brigas constantes que o pessoal chama de “marketing”, são infelizmente compreensíveis. Quando a banda estava no auge, o pai deles chegou até a aparecer, mas o rancor dos dois era tão grande que Liam ameaçou bater nele caso não o tirassem do camarim. Rola um trauma psicológico na cabeça dos dois, entende?

baby-liam-and-baby-noel.jpg os Gallaghers novinhos

Pelo incrível que pareça, Liam Gallagher é um homem dócil e caseiro, que gosta de reunir sua família (com exceção do Noel e do pai, claro) e é totalmente romântico e dedicado aos filhos. É claro que lá nos meados dos anos 90, ele o irmão só queriam saber de groupies, drogas e álcool, mas a virada do século transformou a vida dos dois. A quase overdose tanto de um quanto do outro, que eram viciados em cocaína e tendiam a virar alcoólatras como o pai, também serviu de lição para o amadurecimento.

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Noel, também casado e com filhos saiu da banda em 2009 porque sua relação com o irmão estava desgastada ao máximo. Imagine conviver com uma pessoa desde sempre, fora as brigas e as ofensas que os dois trocavam! É insuportável. Mesmo com os projetos paralelos, os dois andam se saindo bem: Liam com a Beady Eye e marca de roupas Pretty Green (inspirada no hit de Paul Weller, o modfather) e Noel com seus high flying birds.

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Bom, eu não sei se deu pra perceber, mas eu faço parte daquele seleto grupo que ama a banda quase de maneira xiita, hahaha. Abaixo eu listei alguns clássicos do Oasis ao vivo, porque os caras se garantem demais em cima de um palco:

E um bônus: a banda fazendo cover de Beatles:


Fernanda Pacheco

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