café amargo

Açúcar ou adoçante?

Fernanda Pacheco

Tem 20 anos, é formada em história e aprecia certa miscelânea cultural

Três pares de pés viajantes

Eles se definem como três pares de pés que viajam e nunca param de sonhar. Jamille, Luandro e a pequena poesia, Kira. Dessa coragem toda de abrir mão de tudo pra viver a felicidade, essa família criou registros que instigam e cutucam a nossa vontade de mudar o que nos cerca.


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Livros de autoajuda, horóscopo, terapias diárias, rezas. A felicidade talvez seja uma necessidade humana desde os primórdios, não sei. A única certeza que me parece gritante é a busca desesperada pela felicidade, como se ela fosse esgotável e estivesse quase em extinção. Deixamos de prestar atenção até nos nossos sonhos e acordamos com a nítida sensação de termos dormido em vão, mesmo sem saber.

Parece tarefa fácil essa de ser feliz. E realmente é. Mas quem é que resolve abrir mão de tudo pra ser somente feliz? De tudo que eu digo inclui aquele trabalho insuportável no escritório, o relacionamento que não dá mais certo, as futilidades do cotidiano que atingem a maioria da população, a alimentação errada, os vícios, etc. Essas coisas praticamente humanas que andam distorcendo o tal do humanismo – esse sim, cada vez mais raro. Parece pessimismo exacerbado, eu sei, mas não se preocupe. Escrevo este artigo para apresentar uma família que, sabe-se lá deus como, me arranca sorrisos todos os dias. E o que mais me chamou a atenção é que os meus sorrisos, mesmo que espontâneos, acabam numa reflexão. Pois é. Uma reflexão sobre o que eu ando fazendo da minha vida.

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Aqui não cabe comparação porque todos temos realidades diferentes. Mas esses três aí – Jamille, Luandro e Kira – são tão inspiradores... E vou contar o porquê. Talvez você se inspire também e abandone esses manuais pervertidos que ao invés de nos ajudar, só nos manipulam.

Pés viajantes serve como uma espécie de diário de bordo dessa família que apresentei há pouco. Conheci por causa de Jamille – moça linda que a internet me apresentou antes mesmo da Kira dar o ar da graça.

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Jamille cursava Letras em Fortaleza e lembro que quando esbarrei nessa moça no mundo virtual, fiquei logo de cara apaixonada por suas fotografias. Sem contar a beleza da criatura. Conversando com ela há uns dias, ela me contou que Luandro, seu companheiro, tinha saído do interior de Minas para cursar Cinema em sua cidade e foi lá que eles se conheceram há uns anos.

Letras, fotografia, cinema...

Pode até parecer coisa de filme, mas essa parte da história que contei brevemente acabou em amor e amor é que nem poesia: se explicar muito, estraga. E por falar em poesia, disso tudo os dois acabaram colocando no mundo um poema em forma de gente e o motivo de muitos dos meus sorrisos: Kira, a filha do casal. E foi Kira que mudou tudo de vez. Radicalizou a vida desses dois moços e veio ao mundo pra dizer que a felicidade a gente encontra nas coisas miúdas. Nas coisas que a gente não costuma prestar atenção. Dessa forma revolucionária fez o mundo girar sem ponteiros e o casal, então, viu que ali na cidade não ia dar certo criar esse pedaço de gente que é a felicidade em sua forma mais genuína (lembrando que crianças não são seres celestiais).

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Os três pares de pés viajantes se organizaram, planejaram, tomaram coragem, cuidaram dos detalhes e partiram pra um lugar desconhecido, sem amigos e sem o restante da família. Somente os três foram até o Alto Paraíso de Goiás e foi lá que surgiu o site onde eles compartilham essa vida simples (alcançar o simples é muito difícil!) com a gente que vive o caos da cidade (é o meu caso, pelo menos) através de textos e fotografias maravilhosas! Essa simplicidade de conviver com a natureza e poder cultivar seus alimentos, de pegar as coisas e viajar (no site eles dão uma dica sobre o Couchsurfing), de registrar e acompanhar o crescimento da filha e de ter contato com gente de tudo quanto é canto. Abaixo coloquei alguns desses registros. Tem como não abrir um sorriso?

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Esses três talvez não saibam, mas eles personificaram um poema de Drummond chamado Campo de Flores. No link abaixo tem o Paulo Autran declamando essa lindeza! Esse poema e mais uma dezena, aposto. E não há lição nessa história toda, nem manual, muito menos regra ou lição de moral. É só essa tal de felicidade [tão esquizofrênica que vive se escondendo por aí] se manifestando e dado o seu olá. Às vezes é só uma questão de prestar atenção. De ouvir e de enxergar mais. Ou de ter uma Kira por perto.

Você pode visitá-los através do site, no facebook e também no instagram!


Fernanda Pacheco

Tem 20 anos, é formada em história e aprecia certa miscelânea cultural.
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