café não te deixa mais cult

Sabe o que há entre uma xícara de café e outra? Literatura, fotografia, cinema, música... Arte.

Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams).

Fotógrafo Jimmy Nelso apresenta fotos espetaculares de tribos em vias de extinção

Realizando uma tríade de matérias sobre fotografia no Obvious, da coluna "Café não te deixa mais cult", esta matéria se configura como a terceira e última da série, para os amantes e afins da fotografia e das artes plásticas em geral: o fotógrafo britânico Jimmy Nelson decidiu viajar o mundo por três anos, visitando 35 tribos em todos os cinco continentes, que resistem à ameaça de extinção, registrando-as e reunindo-as no seu projeto fotográfico "Before They Pass Away" ("Antes que elas morram", em tradução livre). Os integrantes tribais sobrevivem num tempo próprio, que resiste aos avanços da globalização inevitável.


Realizando uma tríade de matérias sobre fotografia no Obvious, da coluna "Café não te deixa mais cult", a saber: Londres refletida em poças e calçadas molhadas pelo fotógrafo Gavin Hammond e Projeto fotográfico “Quando as palavras falham, a música fala”, do famoso fotógrafo Steve McCurry, esta matéria se configura como a terceira e última da série, para os amantes e afins da fotografia e das artes plásticas em geral:

O fotógrafo britânico Jimmy Nelson decidiu viajar o mundo por três anos, visitando 35 tribos em todos os cinco continentes, que resistem à ameaça de extinção. Seus integrantes sobrevivem num tempo próprio, que resiste aos avanços da globalização inevitável.

As tradições e costumes das poucas tribos remanescentes do planeta foram documentadas por Jimmy Nelson, que as reuniu no projeto fotográfico "Before They Pass Away" ("Antes que elas morram", em tradução livre). Entre as tribos retratadas estão nativos seminômades cazaques, do oeste da Mongólia.

Britânico nascido em Stevenoaks, Jimmy Nelson carregou sua câmera durante três anos por 44 países, do Deserto da Namíbia às quase inacessíveis ilhas da Oceania. Fotógrafo desde 1987, tornou-se conhecido quando, após passar 10 anos em um internato jesuíta ao norte da Inglaterra, decidiu cruzar o Tibete a pé. A viagem durou um ano e seus registros dela fizeram um enorme sucesso. Depois disso, cobriu histórias na Rússia e no Afeganistão e conflitos em curso como as tensões entre a Índia e o Paquistão e o início da guerra na ex-Iugoslávia.

É possível sentir a importância do trabalho de Jimmy, por exemplo, em algumas imagens de tribos, como a do neozelandesa Maori, cujas origens podem ser rastreadas até o século XIII, com a mítica pátria Hawaiki na Polinésia Oriental. Mesmo após a chegada dos colonizadores europeus no século XVIII, a tribo sobreviveu, isolada, estabelecendo uma sociedade distinta, com arte, linguagem e mitologia características. Um de seus provérbios angustia o espectador diante de seu possível fim: “minha língua é meu despertar, a minha língua é a janela para a minha alma”.

Confira algumas imagens do projeto de Jimmy. Disponibilizei 25 fotos belíssimas, além de uma a mais com o próprio fotógrafo:

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O fotógrafo conta que para apenas uma foto chegava a passar três horas, entre planejamento e execução. Como manda a metodologia antropológica, que renega o etnocentrismo e vê o novo sem julgá-lo, o fotógrafo buscava incorporar os costumes e ser aceito pelos grupos, tornando-se amigo das tribos antes de sacar a câmera. Muitas vezes, em lugares onde os nativos andavam nus, até se desfazia das roupas.

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A pureza da humanidade existe. É lá nas montanhas, nos campos de gelo, na selva, ao longo dos rios e nos vales. Jimmy Nelson encontrou os últimos membros da tribo e os observou. Ele sorriu e bebeu suas cervejas misteriosas antes de usar sua câmera. Ele compartilhou verdadeiramente com esse povo as vibrações, o invisível, mas “palpável”. Ele ajustou sua antena para a mesma freqüência que a deles. Como a confiança entre eles cresceu, uma compreensão compartilhada da missão do fotógrafo foi desenvolvida: o mundo nunca deve esquecer a forma como as coisas eram. Há uma beleza pura em seus objetivos e os laços familiares, sua crença em deuses e da natureza, e sua vontade de fazer a coisa certa. Seja em Papua Nova Guiné ou no Cazaquistão, na Etiópia ou na Sibéria, as tribos são os últimos recursos de autenticidade natural. Foi o que nos ensinou o fotógrafo britânico Jimmy Nelson a respeito desses povos.

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''Em 2009, eu planejava se tornar um convidado de 31 tribos isoladas e visualmente únicas. Eu queria testemunhar suas tradições consagradas pelo tempo, me juntar em seus rituais e descobrir como o resto do mundo está ameaçando mudar seu modo de vida para sempre. Mais importante, eu queria criar um documento fotográfico estético ambicioso que resistisse ao teste do tempo. Um corpo de trabalho que seria um registro etnográfico insubstituível de um mundo desaparecendo rapidamente. Retratos elegantes e evocativos, criados com uma câmera. Mostrar uma vista extraordinária sobre a vida emocional e espiritual dos últimos povos indígenas do mundo. Ao mesmo tempo, seria glorificar sua variável e única criatividade cultural, com os rostos pintados, corpos escarificados, jóias, penteados, línguas e rituais extravagantes. ", disse o fotógrafo Jimmy Nelson.

Bio-pic-Jimmy-with-kids.jpgNa foto acima, o fotógrafo Jimmy Nelson com uma das tribos que ele visitou.


Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams)..
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