café não te deixa mais cult

Sabe o que há entre uma xícara de café e outra? Literatura, fotografia, cinema, música... Arte.

Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams).

Como fazer amigos em viagens? Gustavo Junqueira responde

Uma das coisas mais legais de viajar é conhecer pessoas novas, descobrir histórias, jeitos de pensar, estilos de falar, trocar experiências e enxergar, através daquela pessoa, o quanto ainda temos para descobrir desse mundo enorme que vivemos. Eu sei, podemos conhecer pessoas novas em qualquer lugar sem precisar necessariamente estar viajando, mas a vontade de explorar um pouquinho de tudo que surge viajando é um dos maiores incentivos a esse desejo. Para isso, o viajante Gustavo Junqueira da sua dica.


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O viajante Gustavo Junqueira, leitor daqui do nosso Obviousmag, comentou uma matéria que postei sobre viagem, intitulada de "Nova doença ataca viajantes por todo o mundo e contamina o cinema", e deixou uma dica interessante, que foi o seu blog VagaMundagem, o qual comenta sobre viagens e conselhos afins.

Conhecendo um pouco mais sobre o seu blog, encontrei um texto interessante que todos deveriam conhecer: "Como fazer amigos em viagens?". Confira abaixo:

Estou numa estação de trem, esperando o comboio que vai me levar da fronteira da Singapura com a Malásia até Kuala Lumpur. Ao meu lado, um casal de aparência europeia com suas mochilas enormes e caras simpáticas aguardam pelo mesmo trem. Eles olham do relógio na parede para a passagem de trem em suas mãos enquanto eu olho da passagem na minha mão para o relógio na parede. Ainda faltam 20 minutos para o trem chegar e eu começo a pensar numa forma de iniciar conversa. “Para onde vocês vão?”, eu penso na minha cabeça; “’é da sua conta?”, imagino uma resposta. “Nossa mãe, que clima mais agradabilíssimo hein?!”, não parece muito esperto (porque as pessoas só comentam quando está quente ou frio?). “Vocês vêm sempre aqui?”, soa como um conquistador barato. “Que mochila grande as suas!”, “‘É, é grande”, imagino eles respondendo sem nem olhar na minha cara.

O tempo passa, o trem chega, sentamos e embarcamos em diferentes vagões e como acontece com frequência, cada um segue para o seu destino, descemos em diferentes estações e eu fico com um leve arrependimento de nunca ter aberto a boca para nem falar um “oi”. Faz parte da minha rotina de viagem.

O que eu nunca esperava é que uma semana depois eu estaria perdido no meio de uma plantação de chá nas montanhas do interior da Malásia com essas mesmas pessoas.

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Você alguma vez já sentiu uma pontinha de arrependimento por não ter iniciado uma conversa com uma pessoa do seu lado, no ônibus, numa fila ou no aeroporto, por exemplo? Por mais que eu viaje, não nego que ainda acho um desafio conhecer pessoas e fazer amizades no dia a dia. Mas eu não posso reclamar, uso uma ferramenta (daqui a pouco te conto qual) que me ajuda bastante a conhecer muita gente e fazer verdadeiros amigos. Mas ainda assim, sinto que eu perco a oportunidade de conhecer um bocado de gente com a minha falta de coragem de iniciar uma conversa em uma situação corriqueira.

Será que é porque tenho sangue mineiro, ou simplesmente porque sou tímido mesmo? Com mais frequência do que eu gostaria, eu estou do lado de uma pessoa pensando em arranjar um assunto, mas antes que eu possa tomar coragem e abrir a boca, o tempo passou e a pessoa seguiu o rumo dela e eu o meu. Sei que esse “travamento” é mais comum quando queremos conhecer pessoas do sexo oposto com segundas intenções ou quando somos adolescentes. Mas quando o que queremos é apenas um bate papo descontraído, por que parece ser tão difícil ter “as caras” para uma inocente aproximação?

É sempre mais fácil para mim, ver alguém com uma mochila, porque sei que assunto não vai faltar e a pergunta mais comum para quebrar barreiras é simplesmente: “De onde você é?”. Mas ainda assim, na maioria das vezes eu mesmo me repreendo, sempre achando que a pessoa não está interessada em conversar comigo ou que eu vou interromper um pensamento importante (como se ela estivesse prestes a descobrir a cura para o câncer de pâncreas). O pior é quando a pessoa tem fones de ouvido e está concentrada lendo um livro ou mexendo no celular, aí que eu não tenho coragem mesmo!

Mesmo quando as condições são propícias, eu sempre tenho o receio de parecer que o início de conversa foi forçado. E na maioria das vezes não nego que seja mesmo, quando eu faço uma pergunta que eu já sei a resposta, tipo, “você sabe quanto tempo esse trem leva para chegar em Roma?” ou pior ainda quando comento do clima, “ta quente, né?”. Forçar um pouco a barra dessa forma pode não ser a forma mais ideal de começar uma conversa, mas é uma opção e se esperamos pelo momento ideal, raramente conhecemos gente na “estrada”.

Albergues para mim são os lugares mais propícios para fazer amigos nas viagens. Ali sei que tem muita gente interessada em compartilhar os planos de viagem e conhecer gente nova. Os melhores para mim são os que tem uma área em comum aconchegante com cadeiras e sofás. Eu acho um cantinho para sentar e despisto tentando me mostrar ocupado olhando para o celular ou para o mapa da cidade e quando alguém senta ao meu lado ou se vejo alguém simpático por perto eu logo disparo: “Oi, de onde você é?”. Já conheci gente de todo mundo dessa forma e muitas vezes quando viajo sozinho acabo achando companhia para visitar parte da cidade por um dia ou mesmo por semanas inteiras.

Se conhecer outros viajantes pode ser um desafio, mais difícil ainda para mim é conhecer as pessoas locais, principalmente quando estão todas assim, confira a foto:

Metro-singapura-1024x410.jpgComo puxar papo com os passageiros desse metrô na Singapura?

A melhor ferramenta que encontrei para conhecer essas pessoas não seria diferente do que uma ferramenta on line, não é mesmo? Para isso, ainda não conheço nada melhor do que o Couchsurfing nas viagens. Mas as opções são várias: Twitter, Instagram, Facebook, blogs, mealsharing, bewelcome. Sei que muita gente critica o tempo excessivo que nossa geração gasta olhando para a tela do computador ou do celular, mas eu não sei como eu teria conhecido tanta gente de carne e osso pelo mundo se o primeiro passo não fosse pelo meio virtual.

Cinco dias depois de perder a oportunidade de conhecer os europeus do primeiro parágrafo, eu estava dentro de um ônibus que seguiria para o interior da Malásia quando eu me deparo com eles próprios entrando no mesmo ônibus! Para você entender o grau dessa coincidência deixa eu deixar claro que Kuala Lumpur é uma cidade bem grande e ainda assim, no trem em que viajamos juntos, descemos em cidades diferentes. Com a surpresa dentro do ônibus você deve achar que foi fácil dizer: “Ah, eu vi vocês em um trem na semana passada!”, mas não. Só fomos nos conhecer quando chegamos no nosso destino, cinco horas depois, quando estávamos todos com cara de perdidos sem saber para onde ir naquela nova cidade. Começamos a caminhar juntos procurando um lugar barato para passar a noite e algumas horas depois nos vimos sentados ao redor de uma fogueira do lado do nosso bangalô compartilhando histórias, rindo do nosso “encontro” na estação de trem, combinando planos.

Nos próximos dias, caminharíamos (e nos perderíamos) juntos por florestas, plantações de chá e de morango, pegaríamos carona, viajaríamos juntos para o outros cantos do país para enfim o destino fazer o seu papel novamente e dizermos ade… “até breve, amigos”.

O título desse post é mais uma pergunta para você que está lendo. Como VOCÊ faz amizades nas viagens? Gostaria muito de ouvir suas opiniões e experiências! Deixe seus comentários abaixo!

Algumas fotos da viagem do Gustavo Junqueira:

cameron-highlands-1-1024x701.jpgPlantações de chá em Cameron Highlands

cameron-highlands-2-1024x682.jpgCaminhando pela Mossy Forest em Cameron Highlands

cameron-highlands-3-1024x628.jpgRafael, os novos amigos alemães Toby e Eva e Gustavo

Para outras fotografias na Malásia, por Gustavo, é só continuar conferindo abaixo:

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* VagaMundagem


Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams)..
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